A demolição de parte do prédio da União Operária gerou controvérsias e uma série de opiniões. É evidente que cada cidadão pode se expressar como quer, dar sua opinião, como escreveu Guimarães Rosa: “Pãos ou Pães é questão de Opiniães”. Assim, estando ou não a favor, é aceitar, ainda que contrariado. São muitos os exemplos a respeito. O de maior destaque é a condenação e prisão do ex-presidente Lula. A maioria dos brasileiros aprovaram a medida tendo-a como justa, não se atendo às questões processuais, mesmo sabendo que ela foi tomada por um juiz togado, ratificada por desembargadores e ministros. Isso não impediu a gritaria que não cessa, conquanto um pouco arrefecida. Aqui, ali, uma opinião que beira o absurdo, como a do cronista da revista Istoé, Leonardo Atucch (sempre ele). Disse ele “o Brasil arruinado e a esperança na cadeia”. Opinião dada, mas diante do quadro que vive o País, não pode ser aceita, pois quem descarrilhou o trem foi o ex-presidente e o seu partido. E nem se fale em golpe, pois quem substituiu a presidente cassada foi membro do mesmo grupo, eleito que foi na mesma chapa dela. Resumir-se-ia, na pior das hipóteses, que tudo é farinha do mesmo saco. Saco que também vai recebendo farelos de outros partidos da República, entre eles o poderoso PSDB. E fica a pergunta: o que sobra?

Deixando o geral de lado, fica-se no particular, no caso o prédio da União Operária, agora sob a tutela da justiça local.

Primeira questão: não se trata apenas de “derrubar uma velharia”. Trata-se de um imbróglio de todo tamanho: de uma transação malfeita, à sorrelfa; da demolição descumprindo lei (o prédio encontra-se no Centro Histórico, criado através da Lei nº 2.342/2006 publicada nesta edição); do atropelamento de uma ação que corre na Justiça a respeito da legitimidade da alienação do prédio – no caso, estando em litígio tanto a posse quanto a propriedade. Noutras palavras, nenhuma alteração poderia nele ser realizada.

Resumo, para não estender muito a questão: não se trata, pois de apenas uma questão de velharia, trata-se de descumprimento de uma lei e ao andamento de um processo judicial. Se tal medida pode ser aceita e aprovada, ainda que como opinião, não haverá segurança para nenhum cidadão quanto à sua propriedade, como diz o ditado: pau que dá em Francisco, dá em Chico.

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