21 DE ABRIL – um pouco de história

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Tarcísio Barbosa

A influência das ideias do Iluminismo, o exemplo da independência dos Estados Unidos da América em 1776, os gritos de liberdade que ecoavam na França às vésperas da revolução francesa e a exploração do Brasil por Portugal, que exigia um imposto de 20% sobre o ouro produzido, o imposto do quinto, serviram de combustível para alimentar os sentimentos de liberdade que culminaram na Inconfidência Mineira. Interessante lembrar que hoje o governo brasileiro leva sob a forma de impostos 40% – dois quintos – de tudo o que é produzido e não há mais nenhuma inconfidência. Registre-se que a Maçonaria, sinônimo de liberdade, esteve presente na Inconfidência Mineira. Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira, herói nacional, foi enforcado em 21 de abril 1792, no Largo da Lampadosa, no Rio de Janeiro, e seu corpo, esquartejado. Isto todo mundo sabe. Poucos sabem é que sua cabeça, fincada num poste em Vila Rica, atual Ouro Preto, foi roubada e ninguém sabe seu destino. Que em seu lugar, tenha sido enforcado Isidro Gouveia, e Tiradentes tenha embarcado para a França, onde fora visto tempos depois. Especulações! A história é feita de documentos, não de especulações. Esquecida está a morte de Tancredo Neves, também num 21 de abril, só que de 1985.
Voltando ao tempo, vamos lembrar um fato acontecido num 21 de abril. Só que bem mais distante – 1506. Que ficou conhecido como o Massacre de Lisboa. Que se iniciou no dia 19 de abril, prolongando-se, portanto, por três dias. Foram três dias de horror em que uma multidão perseguiu e matou cerca de 2.000 judeus, acusados de serem os responsáveis por uma seca, fome e peste que assolavam Portugal.
A história situa o início da matança no convento de São Domingos de Lisboa, quando os fiéis rezavam pelo fim da seca e da peste e alguém jurou ter visto o rosto de Cristo iluminado, fenômeno interpretado como milagre. Um cristão-novo*, que também participava da missa, tentou explicar que esse milagre era apenas o reflexo de uma luz, mas foi calado pela multidão, que o espancou até a morte.
A partir daí, os judeus da cidade, que anteriormente já eram vistos com desconfiança pelos cristão, tornaram-se o bode expiatório da seca, da fome e da peste. E três dias de massacre se sucederam, incitados por frades dominicanos, que prometiam a absolvição dos pecados para aqueles que matassem os “hereges”.
Posteriormente, D. Manuel I penalizou os envolvidos, confiscando-lhes os bens, e os dominicanos instigadores foram condenados à morte por enforcamento.
No seguimento ao massacre, ao clima de crescente antissemitismo em Portugal e ao estabelecimento do Tribunal do Santo Ofício, a famigerada Inquisição – uma mancha indelével na Igreja Católica, para a qual o papa João Paulo II pediu perdão — que entrou em funcionamento em 1540, perdurando até 1821, muitas famílias judias fugiram ou foram expulsas do país, levando só a roupa do corpo, pois seus bens eram confiscados pelo governo, reis católicos, diga-se de passagem, tendo como destino principal Holanda e Bélgica. Algumas famílias judias fugiram para o Brasil e se estabeleceram em Recife, onde ficaram por algum tempo, indo posteriormente para os EUA.
Quem sabe o leitor não descobre um 21 de abril com boas lembranças! Não sei de nenhum! Me lembrei de um – Inauguração de Brasília, capital da corrupção, em 21 de abril de 1960

jtbarbosa500@yahoo.com.br

*Cristãos-novos, em Portugal, a partir de 1497, eram os judeus que se converteram pela força ao cristianismo para não serem mais humilhados e mortos em praças públicas. Para se diferenciarem dos outros cristãos, muitos tomaram sobrenomes lembrando a flora e a fauna, como Macieira, Oliveira, Pereira, Laranjeira, Carvalho, Leão, Raposo, Veado – sem gozação, pois há uma família em BH com este sobrenome – Carneiro, Coelho, Lobo, entre outros.

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