90 ANOS DE DONA FILHINHA

0

JOÃO NAVES DE MELO

O Sítio Carambola Festas foi palco de uma belíssima festa para comemorar os 90 anos de Dona Maria do Rosário Cangussu – Filhinha. Filhos, netos, bisnetos, parentes de todas as afinidades e muitos convidados estiveram presentes para homenagear a grande dama, uma mulher que fez história.
Dona Filhinha deu entrada no salão desfilando por uma passarela num corredor formado por membros de sua família. Postou-se, com muita serenidade e sorriso afável, à frente de uma mesa onde recebeu cumprimentos e pousou para fotografias com familiares e amigos. Fez uma volta ao passado, dançando uma valsa com filhos, netos e genros.
O espaço estava ricamente ornamentado – com muito bom gosto nas cores, florais e outros detalhes. A música muito especial com Di Brasil e Companhia, tendo como um dos cantores Di Brasil, sempre muito aclamado em São Francisco. O clima foi de muita alegria e confraternização, marcando o alcance social da família Cangussu, que se pontificou no município e fez nome na região da Lapa do Espírito Santo como prósperos fazendeiros, empreendedores, educadores e políticos.

QUEM É DONA FILHINHA

Um pouco da história da quase sexagenária aniversariante, encontra-se na apresentação do álbum elaborado pela família sobre a sua vida, com os momentos marcantes de sua existência – fotografias e legendas.
Com o amor não existe tempo. Ele se escreve e é gravado na história de quem o cultiva e por isso se faz eterno. Onde ele mais floresce, expande-se e dá curso à felicidade? Sem dúvida, é no seio da família, no estreitar de abraços, de carinho, palavras e afetos plantados no dia a dia.
É preciso ressaltar a família, como dádiva sublime, rememorando a vontade do nosso Criador, que enviou o Seu Filho à humanidade por meio de uma família. Através da família, Jesus experimentou os sentimentos da humanidade a que veio servir.
Então, o que significa a existência de Filhinha? Ela nasceu Maria do Rosário Soares de Souza, nas belas paragens de Bocaiuva. Menina se fez com formosura, doce criatura que a todos cativava, que enchia a casa de seus pais de alegria; menina que se destacou na escola revelando inteligência e sabedoria. Filhinha ganhou o mundo, viajou, fez tantas amizades, era tão querida. Ocupava os salões de festas com sua beleza e encanto vivaz. Lembrando a história, é possível de vê-la, leve como uma pluma, dançando nos salões do Automóvel Clube de Montes Claros e pasme-se, participando de um concurso de dança, o tango. Venceu a competição e ganhou um lindo vestido que exibia em outras festas com grande orgulho. Não poderia ser diferente, então – aquela mocinha tão bela e simpática atraía olhares. Um deles foi de um moço muito famoso em Montes Claros por sua beleza , Ademar Cangussu. Ele viu a Filhinha e não resistiu. E, assim, o jovem Ademar ganhou o coração dela. O casamento coroou o encontro e ele se realizou na terra famosa pela produção de ouro em Minas Gerais – Nova Lima. Então, Maria do Rosário Soares Souza passou a Maria do Rosário Cangussu. Assim, ela se uniu a um galho de uma árvore cujas notícias remontam a um tronco plantado o século XVIII. História que veio de tão longe, da Bahia, passando por Bocaiuva para pousar no município de São Francisco, onde o casal frutificou-se, gerou seus frutos. Filhinha se fez uma Cangussu, de tão tradicional família que abrilhanta a história de São Francisco.
A família Ademar e Filhinha deu vida nova à região de Santa Justa, tão pobre, quase esquecida. O embrião foi a fazenda Santa Isabel. Depois, por circunstâncias da vida, Ademar plantou a fazenda Boa Vista, construiu uma bela sede, que estava além do tempo para os moradores da região, cheia de inovações, revelando, então, o espírito empreendedor do casal.
Na nova morada, Filhinha viu que as crianças da região não estudavam, não havia escola. Sensibilizada, como era de seu feitio, veio a ser a primeira professora da localidade. O seu trabalho, tão meritório, foi reconhecido pelo então prefeito municipal de São Francisco, Pedro Mameluque Mota, e pelos alunos que usufruíram de seu saber.
A região carecia de desenvolvimento. Preciso era aglutinar os moradores oferecendo-lhes melhores condições de vida. Assim, Ademar, com o apoio de Filhinha, fundou o povoado Lapa do Espírito Santo, hoje vila sede do distrito do mesmo nome, com uma série de serviços urbanos beneficiando a comunidade local e a região.
Tudo na vida tem seu tempo, ensina o Eclesiastes. Assim, quando os filhos cresceram, Filhinha, mãe extremosa e muito amada, se viu na contingência de se transferir para Montes Claros para acompanhá-los nos estudos. Contudo, parte do seu coração ficou na fazenda Boa Vista, na Lapa do Espírito Santo, locais que sempre visita para rever amigos e saciar a saudade.
Filhinha, hoje, aos noventa anos, pode contemplar seus dias e noites passados; pode reviver tantas corridas da lua no céu de sua vida, e sentir-se, sem qualquer dúvida, uma mulher realizada, além do seu tempo, inovadora e muito amada. Pode colher frutos sagrados de tudo que plantou, indo além de todo seus mister como esposa, mãe, avó, bisavó, mas como ente que esteve a serviço da humanidade. E pode se sentir como uma expressão do amor, o amor que nos recomendou Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
Filhinha deu essa prova.

Campartilhe.

Comentários desativados.