A EXECUTIVA E O PRÍNCIPE

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Ingrid era uma executiva. Trabalhava numa multinacional, hodiernamente chamada de transnacional. Aquela empresa que tem filiais em vários países do mundo e que os socialistas de plantão costumam dizer que são as maiores exploradoras das riquezas dos países pobres. Quanta insensatez! Não fossem as multis, o Brasil não seria um grande produtor de alimentos. Só de Round up, da Dupont, o que se gasta por aqui para os cultivos mínimos é uma fábula. E a soja resistente ao Round up! Deixa pra lá, que o assunto aqui é outro. Apesar de esta ser minha área como agrônomo fitotecnista.
Além de muito inteligente, Ingrid era bela. De ascendência nórdica, era louríssima de radiantes olhos azuis. Era loura verdadeira, não destas louras falsas que abundam no Brasil de norte a sul. Tinha seios californianos – Califórnia é o estado americano onde estão as mulheres de seios mais lindos do mundo. O derrière…bem o derrière era brasileiro. Derrière é traseiro mesmo. Admirado por gregos e baianos. Muito mais por baianos que por gregos. Os gregos andaram sempre muito preocupados é com a Filosofia e as Olimpíadas.
Sua beleza a todos encantava (jargão). Faria inveja às walquírias que, lá no walhala, recebem os guerreiros mortos em combate. Se passasse por um intelectual francês que estivesse bebericando um Beuajolais do ano, ele diria incontinenti: C’est une femme fatale! É uma mulher fatal. Um brasileiro, já bem mais grosseiro, tomando uma cachaça num boteco copo-sujo diria: Que potranca!
Ingrid era casada. Com um ricaço. Já bem chegado em anos. Talvez prestes a tomar seu primeiro viagra. Brasileiro, que o do Paraguai não resolve. Que mulher nenhuma quer saber de homem… Cuá!
Ela acreditava em muitas coisas: bicho-papão, papai noel, fadas, ninfas, gnomos, duendes, mula sem cabeça, fidelidade masculina. Em Elfos, aqueles homúnculos orelhudos que habitam a Finlândia, moram no meio das pedras e foram celebrizados no livro O Senhor dos Anéis, de Ronald Tolkien. É muita cultura inútil!
Naquela tardinha, ela chegou à sua mansão, no bairro Belvedere de BH, onde pobre é proibido entrar. Estacionou sua Mercedes na garagem e saiu. De imediato não entrou em casa. Gostava de andar pelo seu jardim. Para reflexões. Foi aí que ouviu um chamado:

– Ingrid, por favor, venha até aqui, preciso lhe falar! Preciso de sua ajuda urgentemente. Ela olhou pra um lado e outro e não viu ninguém. Ficou muito cismada, pois nesta época em que se grampeia tudo por aí afora, alguém poderia ter instalado um microfone no seu jardim e estar a quilômetros dali aprontando algo para ela.

– Ingrid, eu sou um sapo. Não adianta você procurar gente que não vai achar. Estou aqui na beira do laguinho escondido entre umas begônias. Tenho medo de cobra e soube que tem muitas cobras por aqui.

– Uai! – Ingrid era mineira – mas sapo falante… nunca vi. Cruzes!

– Na verdade, não sou um sapo. Sou um príncipe nórdico que uma wicca – bruxa nórdica, não confundir com bruxa nordestina – transformou em sapo. Só por pura maldade, pois nunca fiz mal a ninguém. Mas se uma mulher bonita como você me der um beijo, eu me transformo em príncipe novamente.
Ingrid pensou muito, muito. Ela já ouvira falar muito em sapos que haviam se transformado em príncipes em outros países, mas não no Brasil. Onde, inclusive nem tem príncipes.
-Me dê um beijo, Ingrid, e você quebra meu encantamento. Depois eu volto pra Finlândia, minha terra natal. E lhe serei eternamente grato. Buá! Buá! Buá!
Ingrid pegou o sapo, pô-lo na bolsa e o levou para o quarto, pois o sapo insistira numa musiquinha antes do beijo e num ambiente bem aconchegante.
No quarto, Ingrid muniu-se de coragem e tascou um beijão no feliz batráquio. Luzes brilharam! Fogos espoucaram! Sinos bimbalharam! E o sapo realmente se transformou em príncipe. Em um deus nórdico, pois deus grego já tá muito manjado. E pelado, pois todo mundo sabe que sapo não usa roupa.
Nesse ínterim, o marido de Ingrid adentrou o quarto.
Bem, essa foi a história que Ingrid contou a seu marido quando ele viu o deus nórdico peladão no quarto com ela.
Será que ele acreditou!

jtbarbosa500@yahoo.com.br

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