A INTERNET NUNCA SUBSTITUIRÁ O JORNAL

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Tarcísio Barbosa

A invenção do papel é atribuída aos  chineses, 105 A.C. Coisa antiga então! E eles, cientes da sua importância, guardaram este segredo por 500 anos. Naquele tempo, tudo andava  numa morneia danada. Os japoneses conheceram o papel no século VII.  Mas foram os árabes, ao vencer  os chineses na batalha de Samarcand, que levaram o papel para a Espanha.  O papel começou a ser fabricado comercialmente na Itália em 1276, na França em 1390.  É,  mas faltava uma coisa – a  tipografia ou imprensa.   Problema resolvido por Gutenberg em 1440. Com a imprensa e o papel, foi fácil imprimir livros, daí  para o jornal foi um pulo. O primeiro jornal saiu na Holanda em 1602. No Brasil, bem mais  tarde, em setembro de 1808, com  vinda da família imperial.   Ufa! Quanta cultura! Só mais um pouco de cultura.

Jornal vem de jour, que em francês é dia.  Etimologicamente (gastei!)  deveria ser uma publicação diária. Mas o hebdomadário sai  semanalmente, mas é chamado de jornal.   Daí vem jornada, duração do trabalho diário. E tarefa jornaleira não  é  vender jornal todo dia, é a tarefa cumprida em um dia de trabalho. Quanta cultura!

Aí surgiu a internet. Que tem um montão de serventias. Namorar. Comprar as coisas. Arranjar namorada(o). Levar chifre, que nem dói, pois é virtual. Divertir-se. Trabalhar e escrever babaquices – meu caso específico.  Fornecer informações – a mais importante de todas  as serventias. Aí é que esbarra no jornal  que também existe para  noticiar, fornecer informações.

Entretanto, o jornal impresso, o tradicional, nunca poderá ser totalmente substituído pela internet. Senão vejamos algumas serventias do jornal, já conhecidas de todo mundo. Aqui não há uma novidade sequer.

Serventia doméstica:  amadurecer banana; recolher lixo; limpar vidros; dobradinho, serve para alinhar os pés da mesa; embrulhar louças na mudança;
recolher a sujeira do cachorro e do gato;  forrar a gaiola do passaralho, digo,  passarinho; cobrir os móveis e o piso antes de pintar a casa;  evitar que entre água por baixo da porta;  proteger o piso da garagem quando o carro está vazando óleo ( não tenho saudade nenhuma de um jeep velho que eu tinha);  matar moscas, baratas e demais insetos com uma  jornalada; em  tempos bicudos, como papel higiênico  – claro que nunca será igual ao NEVE, perfumado,  não sei pra que,  e  macio  como pétala de rosa,    não sei   quem descobriu.

Serventia educativa: dar uma jornalada  no focinho do cachorro quando fizer  xixi dentro de casa;  arrancar um pedacinho e anotar número de telefone.

Como brinquedo pras crianças: fazer barquinho para pôr nas enxurradas para desespero da mãe e boné pra brincar de soldado.

Serventia comercial: alargar o sapato; rechear bolsas para conservar a forma;
embrulhar peixes;  fazer moldes de roupa; embrulhar quadros.

Serventia festiva: acender a churrasqueira. Oba! Me chame!

Serventias outras: para os sequestradores usarem suas letras nas cartas; fazer bolinhas para jogar nos companheiros de classe; embrulhar o revólver pras pessoas pensarem que você está carregando uma faca; cobrir a cabeça quando for pego de surpresa pela chuva; esconder-se atrás dele se você for um detetive seguindo alguém  que vai  chifrar   alguém.

Finalmente  –  para ler notícias. A  única serventia  que coincide com a internet.

                                               jtbarbosa500@yahoo.com.br

 

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