ADEUS, PROFESSOR SILVANO

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Um nome que deve ser guardado na história são-franciscana – professor Silvano Rodrigues Pereira, que teve uma vida dedicada à educação, com respeito, amor e sacrifício. O fato ficou claramente registrado quando do seu lamentável falecimento: tanto no velório, quanto no sepultamento de seu corpo, o que se viu foi a reunião das duas grandes famílias que ele deixou – aquela, parte do seu sangue, e aquela que foi parte do seu coração, os caiomartinianos. De fato, afluíram caiomartinianos das mais diversas regiões: Ubaí, Icaraí, Brasília de Minas, Januária, Montes Claros e Belo Horizonte. Da Chapada Gaúcha veio o prefeito Jairzinho, um vereador e um grupo de caiomartinianos. Compareceram, ainda, às exéquias, solidarizando-se com a família, companheiros de trabalho e grande número de amigos, todos lamentando a grande perda de um cidadão honrado, devotado e idealista. Essa demonstração de amor, de carinho, essa relação familiar revelada, retrata tão simplesmente qual foi o liame entre Silvano, seus pupilos e amigos. Pouca gente pode guardar um tesouro tão valioso.
Silvano nasceu no dia 4 de maio de 1934, na fazenda Renascença, lugar Pinhãozeiro, filho de Cecílio Pereira da Silva e Elpídia Joaquina Pereira. Teve como irmãos: Maria Pereira, Maria das Dores Pereira, Antônio Pereira da Silva, Felícia Rodrigues Pereira, Generosa Rodrigues Pereira, Sebastião Rodrigues Pereira e Marcelino Rodrigues Pereira – uma família extremamente unida.
Aos 8 anos ele foi vítima de paralisia infantil, mas não se quedou diante do fato que lhe roubou parte do movimentos, a agilidade para correr no cerrado, nadar na lagoa do Pinhãozeiro e ir atrás de animais no campo. Decidiu, com coragem, que iria vencer e, a primeira coisa que fez foi estudar. Fez o primário na escola da Passagem (travessia do rio São Francisco a quase uma légua de distância de sua casa) com a legendária mestra Antônia Coutinho Lima (Dona Dadá) e a professora Juracy Sá. Concluído o primário, corajosamente arriscou partir de São Francisco em 1955: conseguiu uma vaga na Escola Normal Regional Caio Martins de Esmeraldas e para lá foi enfrentar uma vida dura e difícil, em um internato. Com muito esforço e espírito de luta, venceu barreiras, cumpriu todas as normas, regulamentos e obrigações impostas a estudantes de uma escola que exigia muito dos alunos para realizar a extensa programação do currículo escolar e atividades extracurriculares. Em 1957, diplomado professor, voltou a São Francisco. Em pouco tempo ele estaria ao lado de Juracy Sá, sua ex-professora, sob a direção de dona Alice Mendonça, exercendo o mister de professor na Escola Caio Martins de São Francisco, onde foi morar no ano de 1960 atuando como professor e coordenador da Escola Singular, substituindo dona Alice Mendonça. Ao mesmo tempo, dedicava-se à educação dos alunos nas aulas de práticas agrícolas. As hortas da Escola ficaram famosas pela qualidade, variedade e quantidade de verduras e legumes que produzia para o consumo interno e para venda na cidade.
Veio o pendor musical – aos domingos, ao lado de João Canário e Dirceu Lelis, Silvano empunhava um violão e ia animar as reuniões do grêmio, uma atração especial na vida escolar e para a cidade. Silvano, aí, tomou gosto pelo violão.
Silvano foi casado com a ex-aluna Teresinha Barbosa e desse casamento vieram os filhos Silvana (foi casada com Carlos Ferreira) e dela a neta Laura; Guilherme, casado com Zeninha Rocha, tendo as filhas Gabriela e Sofia, e Luciana, casada com Aluízio, tendo os filhos Natália e Davi. Coração generoso, adotou a criança Janaína, aos 4 anos, que com ele conviveu até os 20 anos.
Silvano teve uma intensa atividade na vida de São Francisco, marcando, indelevelmente a sua influência na sociedade e, sobretudo, na formação de centenas de jovens do meio rural e da cidade como professor e diretor do Centro de Treinamento para Jovens Líderes Rurais da Escola Caio Martins e da EE Dr. Tarcísio Generoso e, ainda, em um período como Inspetor de Ensino. Foi professor de religião na EEDAM por alguns anos; foi tesoureiro, por vários mandatos, do Lions Clube de São Francisco e secretário do Rotary Club. No campo religioso, foi imensa a sua participação. Como cursilhista, todos os domingos, na garupa da bicicleta de Antônio Viana, levava o Evangelho a diversos lares da cidade. Aposentado, enquanto a saúde permitiu, montou uma escolinha de violão para crianças em sua própria casa – aulas gratuitas. Essa atividade ele exerceu por algum tempo no CAIC.

Apesar da falta de mobilidade, decorrente do agravamento da paralisia, com a idade, ele, de casa, participava de tudo que acontecia na cidade e, seguindo os princípios preconizados pela Igreja e ao espírito de cidadania, dedicou-se intensamente à tarefa de preparar espíritos, esclarecer cidadãos quanto às suas responsabilidades como eleitor, usando para isso um lema: “Se os honestos, sérios e comprometidos se omitirem, os maus ocupam os lugares…”
Professor Silvano Rodrigues Pereira nunca se omitiu, foi um exemplo de cidadania. Assim, é certo, ele apenas se encantou, mas estará sempre presente em nossa comunidade e corações.

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