AINDA AMAZÔNIA

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A Europa se insurge contra o governo brasileiro e se coloca como salvadora da Amazônia. Discursos, belos discursos de políticos se postando como donos da verdade absoluta; intelectuais e religiosos embarcados no sensacionalismo de uma corrente que mira, com suposta superioridade, o que acontece do lado de cá do Atlântico.
O que a Europa precisa, antes, é bater no peito e declarar o “mea-culpa” pelo que seus antepassados fizeram com o Brasil, com a extrema espoliação a começar pela exploração do pau-brasil para fazer suas tinturas, reparar seus palácios ou fabricar formidáveis móveis. Colonizadores, para produzir açúcar endinheirando barões, a coroa portuguesa e comerciantes holandeses, destruíram a mata Atlântica Nordestina. Foi marcante a presença do europeu afugentando os índios de suas terras. Anátema maior foi importar os negros da África fazendo-os escravos, deixando à posteridade uma herança que se cobra até hoje.
Quem plantou o mal? Gilberto Freire descreve, magistralmente, no livro Nordeste, a ação predatória do colonizador europeu. Ele salienta em sua visão ecológica “que o colonizador foi um grande predador; destruiu impiedosamente a natureza, derrubando florestas à procura do ganho fácil, degradou solos, usou os rios naquilo em que eram úteis e transformou-os em verdadeiros canais de esgotos de recebimento de produtos e dejetos industriais que disseminou epidemias e endemias europeias e africanas, e destruiu a fauna autóctone para substituí-la por animais importados e domesticados de outras plagas”.
Não estendendo muito o mal provocado, não se pode deixar de lado o que portugueses, holandeses e franceses fizeram com os índios. Tupis escorraçados para o Sul pela orla do mar; tapuias esfacelados em grupos em diáspora desesperada no caminho do São Francisco até chegarem às sertanias do que mais tarde seria Minas Gerais. Quantas tribos foram dizimadas? Quantos índios foram mortos, inclusive índias e curumins, quando não feitos escravos? Quantos negros foram arrancados de seus lares e aqui feitos escravos, humilhados e até mortos?
A Europa destruiu a natureza do Nordeste transformando extensas áreas em verdadeiras savanas, estéreis desertos, com graves reflexos no sistema hidrográfico. Agora, com petulância, jactando sabedoria, quer dar lição ao Brasil. Primeiro batam no peito o mea-culpa e, depois, apareçam para salvar o que ensinaram a destruir.
Para completar a pantomina, uma caravana de índios brasileiros está indo à Europa para fazer coro ao encarniçamento do Brasil. Vale pelo que falarem em defesa da Amazônia. Contudo, honrando seus antepassados, por que não cobram o mea-culpa dos europeus pelo dizimamento deles? Sugiram, também, a realização do Sínodo do Nordeste que a Europa destruiu.

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