ALBERTO DOS REIS ASSUNÇÃO

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Assunção, como era carinhosamente tratado, foi uma personalidade importante na história de São Francisco. Homem afável, comedido, sempre preocupado com os destinos de São Francisco, tornando-se figura participativa em várias áreas que tinham interesse comunitário.
E quem foi Alberto Assunção?
Nasceu em São Romão no dia 2 de julho de 1937, filho de Manuel Ferreira Assunção e Benedita Alves Santa Rosa. Vindo para São Francisco cursou o primário na EE Coelho Neto (então Grupo Escolar); frequentou a Escola de Pesca Darcy Vargas – Baía de Marambaia, Mangaratiba, Rio de Janeiro; curso de Letras na PUC de Januária, MG e curso de Direito na Faculdade de Direito de Sete Lagoas.
Assunção teve ligação com as Escolas Caio Martins.
A pedido de Oscar Caetano Gomes, o Coronel Manuel de Almeida o levou, representando São Francisco, e outros dois alunos – um de Januária e outro de Pirapora – para a escola Caio Martins de Esmeraldas onde lá foram instruídos para ingressar na escola de pesca Darcy Vargas no Rio de Janeiro. O objetivo era prepará-los para se transformarem professores de pesca nas escolas Caio Martins de Januária, Pirapora e São Francisco. Alberto nunca soube explicar o porquê de dois alunos retornarem, ficando apenas ele para trás. Assim, não retornando à Escola Caio Martins ele iniciou o trabalho como pescador profissional de alto mar com carteira profissional (pesca e enlatados de sardinhas) do governo do estado do Rio de Janeiro.
Na Escola de Pesca, Assunção estudou o Código de Morse (telegrafia) o que lhe deu acesso à empresa aérea Cruzeiro do Sul (empresa alemã, subsidiária da Deutsche Luft Hansa) para trabalhar em serviço de terra em Macapá, AP.
Em Macapá conheceu Ana Inês Cardoso Monteiro, funcionária da Agência Real de Transportes Aéreos. Nessa época ele passou a trabalhar em serviços no ar como radiotelegrafista de voo. Moraram em Macapá, Belém (onde nasceram os filhos Beto, Marcelo e Jorgeanne), Manaus, Rio de Janeiro (onde nasceu o Lino).

O EMPRESÁRIO. Em São Francisco. Em 1975 Assunção foi transferido para Rio de Janeiro onde nasceu o filho caçula. A Cruzeiro do Sul é comprada pela empresa de aviação Varig e a profissão de rádio telegrafista de voo foi extinta. Alberto e Ana decidiram-se mudar para São Francisco com a família para se dedicarem à educação das quatro crianças.
Em 1976 investiu em um açougue no Mercado Municipal chamado Casa Assunção e posteriormente abriu a filial em sociedade com a esposa: Monteiro Assunção Cia. Ltda., nome fantasia: Casa Assunção (material de construção). A loja e açougue foram gerenciados por sua esposa e sócia gerente Ana Inês Monteiro Assunção.


O POLÍTICO. A convite do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Francisco Assunção fundou o Partido do Movimento Democrático Brasileiro em São Francisco. Na falta de candidato representando o partido, ele se candidatou às eleições municipais como prefeito em 1982. Não foi eleito, porém a representação simples dos votos elevou o nome de São Francisco diante do (eleito no mesmo ano) governador de Minas Gerais e futuro presidente do Brasil, Tancredo de Almeida Neves (PMDB).

O EDUCADOR. Em 1976 Assunção iniciou a carreira de professor em São Francisco na Escola Estadual Coelho Neto lecionando as disciplinas: OSPB, Educação Física e Inglês. Foi professor de Inglês também no Instituto Coronel José Ortiga, Escolinha do Bom Menino, Escola Estadual Brasiliano Braz e Escola Estadual Dona Alice Mendonça. Em 26 de novembro de 1985 tornou-se diretor da EE Coelho Neto cargo que ocupou até 30 de abril de 1993. Continuou sendo professor de Inglês até se transferir para Sete Lagoas, MG em 2001, onde foi professor concursado de inglês na Escola Estadual Dr. Olinto Satyro Alvim e estudava no curso de direito da Fundação Educacional Monsenhor Messias. Não veio a terminar o curso devido os problemas e tratamento de saúde que se iniciaram em 2003.
Assunção escreveu dois livros, não publicados. Um sobre suas viagens como rádio telegrafista e outro autobiográfico

A FAMÍLIA

Assunção casou-se com Ana Inês Monteiro Assunção em 5 de agosto de 1961. O casal teve os seguintes filhos Alberto dos Reis Assunção Júnior (neto Tiago; bisnetos Saymon e Lucas), Luiz Marcelo Monteiro Assunção (netos Ana Clarissa e Luiz Felipe; bisnetos Thomás e Ana), Jorgeanne Monteiro Santa Rosa Assunção Barley (neto Davi) e Lino Emanuel Monteiro Assunção (neto Samuel).

EPISÓDIO MARCANTE

Assunção aventurou-se, com bom e responsável cidadão, no mundo político. Foi candidato a prefeito e não sendo eleito manteve a chama buscando o melhor para São Francisco. De uma feita recebeu alguns amigos na ampla varanda do pavimento superior de seu prédio na Avenida Oscar Caetano. A política fervia em São Francisco. O nome de Severino dominava. Fora chefe de Planejamento no governo de Dim e, depois, prefeito, dando lugar o Zedir. 1996 ele se lança candidato. Não havia oposição. Nisso, a convite de Assunção, pelo PMDB, reúnem alguns políticos de outros partidos, especialmente do PSDB. A fala foi só uma – lançar um candidato para opor-se ao Severino. Silêncio profundo. Severino não poderia sair como candidato único, sem nenhuma oposição. O receio, no entanto, era medo de levar uma lavagem. Era preciso lançar um candidato. Todos aprovaram. Mas quem iria colocar a colar no pescoço do cachorro? Silêncio mortal. Aí, de repente, num rompante, o Kato se expõe: “eu me candidato”. Foi um susto, pois ele não era ligado à política, cuidava apenas do seu trabalho empresarial. Assunção aprovou. Os outros também. Kato saiu como candidato a prefeito e eu, vendo o seu desprendimento e o idealismo de Assunção, me ofereci como candidato à vice. E foi uma das mais belas e cívicas campanhas políticas de São Francisco, varrendo todo o município. Perdemos, por uma pequena margem, mas assustamos Severino. Sinalizou-se a emergente oposição. Noutro pleito o Kato logrou grande vitória contra candidato lançado pelo Severino. Ficou registrado o desprendimento do Assunção, um notável cidadão.
Para tristeza dos são-franciscanos e uma legião de amigos da família, Alberto Assunção nos deixou no dia 22 de março. Ele fazia questão de ser sepultado em São Francisco numa cerimônia fúnebre assistida apenas por membros de sua família e número restrito de amigos em face da situação imposta pelo coronavírus. Contudo, em espírito a população são-franciscana estava presente. Certamente, passado esta triste fase da pandemia, as homenagens certas e merecidas haverão de ser prestadas ao grande homem Assunção.


JNM

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