ALTAMIRO RIBEIRO DE QUEIROZ NOS DEIXOU

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Surpreendente e infausta notícia colheu a comunidade são-franciscana na segunda-feira 4 – a morte súbita de Altamiro Ribeiro de Queiroz, o Mirão.
Um pouco de sua vida foi evocada no final da Santa Missa (sétimo dia) na igreja Nossa Senhora Aparecida, lida por seu enteado Guilherme Barbosa Pereira, abaixo reproduzida.

Se aqui, na Casa do Pai, estivéssemos consternados, com o coração cheio de dor chorando a morte do nosso querido irmão Altamiro, estaríamos renegando a própria ressureição do nosso mestre Jesus Cristo. Qual o consolo buscamos em Coríntios? “Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Pois como em Adão todos morrem, do mesmo modo em Cristo todos serão vivificados”.
O poeta Gibran, com sua sensibilidade, nos fala que “Pois vida e morte são uma só, tal como o são o rio e o mar”.
Ora, exultemos, ainda que pungente a saudade, pois o legado que Mirão deixou à sua esposa, filhos e amigos reflete tudo o que ele foi em vida – em vida e na preparação o momento de sua partida.
Menino pobre, nascido na Malhadinha do Pau Preto – como ele a chamava, quando criança – distrito do Morro – foi viver, depois, em outros campos, de visão ampla, na Boa Vista. Não ficou muito por lá. Seus pais, embora humildes campesinos sonhavam uma vida mais promissora para seus filhos e o melhor caminho que encontraram foi o da instrução. Mandaram Altamiro no rastro de seu irmão Belmiro, o Boa Vida, para estudar na Escola Caio Martins de São Francisco. Era o sonho que alimentava seus pais, mas a realidade poderia ser diferente, pois internar um aluno na unidade da Escola Caio Martins de São Francisco era, àquele tempo, como ingressar numa faculdade. Mirão se fez caiomartiniano, em São Francisco. Revelando alto pendor intelectual, ele foi escolhido para participar da primeira turma do curso de radiotelegrafia instalado no Núcleo Colonial Vale do Urucuia (Escola Caio Martins). Tratava-se de um núcleo pioneiro, implantado em uma região inóspita, totalmente esquecida, com o objetivo de levar assistência e promoção ao homem do campo e à sua família. Altamiro fez parte dos adolescentes/alunos que se juntaram a jovens professores para escrever uma heroica história no sertão urucuiano. Aluno brilhante destacou-se, com louvor, ao concluir o curso de radiotelegrafista e o ensino primário e, com isso, ganhou o passaporte para a famosa Escola do Rosário dirigida pela ilustrada pedagoga Helena Antipoff. Sem dúvida, uma façanha notável. Altamiro concluiu, nessa escola, o curso normal regional, fez-se professor – que belo salto para o menino da Malhadinha. Ao deixar a Escola do Rosário, recebeu, da mestra Helena Antipoff, uma carta destacando o seu brilhantismo como aluno daquela escola. Modesto, como sempre fora, não deu conhecimento do conteúdo dela a terceiros, poucos o conheceram.
Como professor, Altamiro voltou a São Francisco iniciando a carreira de educador na Vila do Morro, onde lecionou durante um ano e, como bom filho e caiomartiniano, foi lecionar na Escola Caio Martins onde iniciara seu aprendizado. Aquilo que recebera passou, com competência e dedicação, ao processo de ensino de outras crianças.
Mais tarde, ele deu mais um salto – prestou concurso e foi aprovado servidor da Caixa Econômica Estadual, agência de São Francisco, onde, mercê de sua competência e urbanismo no trato com as pessoas, ganhou respeito e muitas amizades. A Caixa foi dissolvida pelo governo do Estado e, com isso, para completar o tempo de serviço para aposentadoria, Altamiro foi servir na secretaria da EEDAM, onde se destacou pela excelência de seu trabalho como atesta a então diretora, Irene Veloso Gangana, que, após a aposentadoria dele o convidou para trabalhar com ela no Cartório de Registro de Pessoas Civil de Pessoas Naturais, como juiz de casamento, função que exerceu até as vésperas de seu encantamento.
Constituindo família, casou-se com Lucila Saraiva e com ela teve quatro filhos: André, Murilo, Diogo e Isabela – um orgulho para eles e para a sociedade no geral pela excelência de profissionais e cidadãos que se fizeram – cidadãos úteis à pátria e à sociedade, como aprendera Altamiro na Escola Caio Martins.
A vida nem sempre segue um rumo definitivo, uma mesma escrita, tempos cambiantes podem ocorrer. Assim aconteceu com Altamiro, ele divorciou-se de Lucila e se uniu a Teresinha Barbosa, também caiomartiniana – com ela conviveu 25 anos, lapso que parece não ter ocorrido, tanto era a harmonia e a paz da vida do casal. Com isso, aumentou a sua família abraçando com carinho e amor os filhos dela – Silvana, Luciana e Guilherme. Abraçaram-se como se o destino lhes reservara tal dádiva, pois que bela e feliz família foi constituída.
Reconstituindo a vida de Altamiro, vendo-se em sua postura serena, vamos encontrar um cidadão que será sempre lembrado com admiração e respeito, com muito carinho pelo que pode transmitir Além das funções já mencionadas lembramos que ele foi membro do Lions Club – secretário por vários mandatos e cronista esportivo do jornal “SF – O Jornal de São Francisco”, descrevendo com maestria e graça o que acontecia no futebol da cidade. Companheiro bom de conversa – gostava de polemizar para que cada assunto fosse esmiuçado com clareza. Tinha, ainda, um fato peculiar a marcar sua vida: era um dos dois torcedores do Botafogo e do América Mineiro em São Francisco – sentia orgulho disso e era festejado e acompanhado pelo filho André quando um dos dois era vitorioso e para consolar nas derrotas.
Pois é Mirão, nem pense que nos deixou. Se resta saudade isso é bom, pois desta forma sua presença sempre será marcante em nossos corações, nossas lembranças.
Finalmente, irmãos e irmãs, consolemo-nos com o que diz Isaías:
“Os teus mortos viverão, os seus corpos ressuscitarão; despertai e exultai, vós que habitais no pó; porque o teu orvalho é orvalho de luz, e sobre a terra das sombras fá-lo-ás cair”.

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