BUMERANGUE MUNICIPAL

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Estudantes da cidade foram às ruas na manhã da quarta-feira 5, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, levando cartazes alusivos à data, conclamando a população a respeitar e defender o meio ambiente. Foi uma manifestação pacífica, sem palavras de ordem que pudessem atingir quaisquer autoridades. Como lhes é natural, desfilaram com alegria, numa agradável azáfama. Concluíram a manifestação às margens do rio São Francisco, onde ouviram mensagens alusivas à efeméride, questões relacionadas ao lixo e ao desrespeito de segmentos da população quanto ao nosso Velho Chico. Dali, eles levaram e deixaram sacos de lixo na porta da Prefeitura em protesto pela situação de desleixo em que se encontra a cidade, tomada, literalmente pelo lixo.
A reação de autoridades municipais, ao fato, foi inesperada, reacionária e incompreensível. Primeiro, o chamado à Polícia Militar para lavrar a ocorrência e, depois, a manifestação do chefe de gabinete do prefeito em entrevista concedida ao Portal SF Minas. Infeliz, ele, em sua fala tratou o protesto dos estudantes como vandalismo.
Ora, vandalismo é uma ação própria dos vândalos, que consiste em produzir ruína, devastação, destruição, geralmente à sorrelfa, de monumentos ou quaisquer bens públicos ou particulares. Os estudantes não se enquadraram neste item. Pelo contrário, manifestaram, protestaram, fizeram um desagravo que repercute o pensamento da população da cidade, que está abandonada.
Um absurdo acionar a Polícia Militar para lavrar a ocorrência. Contra quem? Jovens, professores, diretores ou seria contra a população da cidade?
O chefe de gabinete se aviltou contra o ato dos estudantes, mas antes deveria ater-se ao que dispõe a Lei Orgânica do Município (LOM), no capítulo da Saúde. Lá ele encontrará que “a saúde é direito de todos os munícipes e dever do Poder Público, assegurado mediante políticas sociais e econômicas que visam à eliminação do risco de doenças entre outros agravos…” Nesses direitos incluem-se: respeito ao meio ambiente; coleta e destino adequado do lixo; controle da poluição ambiental.
Se a Prefeitura não cumpre com seu mister, como determina a LOM, como pode acionar a Polícia Militar para atentar contra escolas? A população da cidade, então, da mesma forma, poderia acionar a Polícia Militar contra a administração que não cumpre com sua função legal e que agride os cidadãos.
As explicações dadas pelo chefe de gabinete do prefeito sobre a situação do município estão no mesmo diapasão de sempre: falta de recursos. Assim, é de se esperar que até o final desse governo São Francisco tenha que viver perrengue.
O chefe de gabinete atirou um bumerangue nos estudantes e, como é da natureza do instrumento, ele voltou contra si mesmo.

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