CAIO MARTINS, RETRATO DE UM BRASIL DE HOJE

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XXXIV – Parte

OS EDUCADORES

Sargento Xisto, sargento Barroso, sargento Enedino, sargento Izaías, sargento Navarro, sargento Chico, sargento Geraldo Ribeiro, sargento Penido, professor Alcides, Zé Fininho e dona Mundica, Geraldo e Geralda, seu Geraldo, Zé Nazário,  Catulino.

Um rol de educadores. A maior parte constituída por pessoas simples, humildes, mas que se revelaram por força de seu caráter e ministério empírico, verdadeiros educadores. Não tinham cátedra, mas possuíam o espírito missionário; não apontavam caminhos, mas os abriam com seu exemplo e trabalho honesto, sério, comprometido e, sobretudo, revelando grande amor à escola.

Parte deles remanescentes do Campo de Remonta que a Polícia Militar mantinha na fazenda Santa Tereza para criação de cavalos para sua cavalaria; outros cedidos quando da criação da escola em 1948. Mas da função militar restou apenas a lembrança, se fizeram novos educadores, cada qual em sua função servindo como espelho para nós – crianças e adolescentes – em nossa formação.

Não há como lembrar de detalhes ligados a cada um, pois o tempo encarregou-se de levar parte de nossas lembranças, que meninos éramos. Contudo, vou pinçar algumas lembranças, vincadas na memória de um menino.

Seu Xisto. Ele morava com sua família numa casa na beira da estrada que levava à pedreira, onde ele comandava os trabalhos. Ficava ela encrustada na borda de fechada e verdejante mata (o que era muito comum na Fazenda Santa Tereza), com uma fachada muito bonita voltada para uma baixada onde funcionários da escola cultivavam milho, feijão e mandioca para sua subsistência. Ali trabalhei muitas vezes na capina de quadras para ganhar um pouco de dinheiro para despesas imediatas, daquilo que a escola não fornecia.

Seu Geraldo. Sua casinha ficava próxima ao curral, no alto da Escola, era sua praça de trabalho: cuidar do gado, o que fazia sempre muito alegre e cuidadoso. Anos mais tarde, com a criação do curso técnico em Agropecuária, ele foi de grande valia no acompanhamento prático dos estudantes, que tinham o conhecimento teórico, mas não sabia, ainda, o fazer. O lema, então, da Escola era “Aprender fazendo”.

Seu Catulino. Era o barbeiro da escola. Agradável, folclórico, sempre disposto e demorados papos. Cortar cabelo com ele era por demais divertido, curtindo suas história que lembravam o Barão de Munchausen – nunca se sabia se era verdade ou coisa inventada. Então, era cortar o cabelo e levar para os colegas as novas histórias. Quanto aos estilo de corte: ele conhecia diversos – meia cabeleira, Príncipe Danilo e outros. O cliente escolhia o corte e ele executava com perfeição – qualquer que fosse o estilo pedido, o corte era um só. O que marcava a personalidade dele era o modo afável e atencioso que tratava os alunos clientes, muitas vezes dando lições de vida.

Sargento Chico. Já falamos sobre ele, num capítulo especial. Ele e sua esposa, dona Targina recebiam os alunos em sua casa como filhos, cobrindo-os de carinho, atenção e muito amor. Figuras indeléveis.

(CONTINUA)

João Naves de Melo

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