CAIO MARTINS, RETRATO DE UM BRASIL DE HOJE

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XXXV – Parte

OS EDUCADORES – II

Professor Alcides Pinto, comandava o lar Vista Alegre, nas margens do Paraopeba. Ele era um espelho para nós, o professor rural, uma figura muito em moda naquela época. Jeito afável de falar, sempre risonho, comunicativo e muito atencioso. Ele era pai de Geraldo Morais, que também se fez professor e funcionário da escola de Esmeraldas, uma excelente criatura no comando de um lar – pai da moçada.

Sargento Enedino na fazendinha Paulista, às margens do Paraopeba, cuidava com desvelo e muito carinho da criançada (os menores) entregues aos seus cuidados. Sereno, voz macia, muito responsável, ele conduzia a fazenda levando os meninos a permanente contato com a natureza, cuidando da produção de pequena horta, pomar a cultura do milho.

Sargento Izaías. Nada mais nos agradava quando ele subia a ladeira da rua principal da escola dirigindo o caminhão caçamba (francês). Ficou em minha lembrança o processo que ele adotava para passar as marchas do caminhão (caixa seca): repicava o acelerador, como se fosse um tamborilar de um tarol – parecia música.

Seu Osvaldo, era o condutor do outro caminhão francês, de carroceria. Alto, muito tranquilo e atencioso, foi ele que transportou o trator de esteiras, que fazia parte do comboio da caravana em sua viagem para fundar o Núcleo do Urucuia. Ele seguia na frente do comboio, pois em certos trechos o trator tinha que ser desembarcado para abrir trechos de estradas.

Sargento Navarro era outro motorista que tínhamos muito contato. Ele dirigia a Opel que conduzia professores de Belo Horizonte para lecionar no curso Normal Regional de Esmeraldas. Aos sábados ele encostava o carro para lavar e eu, logo, me candidatava para fazer o serviço, com o que eu o manobrava. Assim, fui aprendendo a dirigir. Em compensação ele me deixou dirigir em Belo Horizonte, numa certa feita. Ele era muito paciente e cuidadoso ao me ensinar.

Sargento Geraldo Ribeiro. Não sei porquê nós o tratávamos de Geraldo Barraco. Ele era o mestre pedreiro da Escola. Como aluno aprendiz de construção rural, pela disciplina de Dr. Ilo – desenho – ele me deu, pacientemente, muitas lições de prumo. Com tantas pilastras colocadas abaixo conclui que nunca seria um pedreiro, mas pelo menos aprendi importantes lições. Outra qualidade do seu Geraldo: sentar-se no alpendre do Lar que tomava conta e solar belas valsas no violão. Geraldo era pai de Geraldo Ribeiro, o Nenem, diretor do Núcleo do Carinhanha e do CTJLR, de Januária grande diretor, que teve apoio da diocese de Januária, foi e injustiçado pela direção da Fucam.

Sargento Penido – era, com dona Filó chefe de lar. Entre suas filhas/alunas, estava a que seria, tempos depois, a minha esposa – Vilma. Penido era farmacêutico e, assim, chefiava a Policlínica da Escola – um prédio que abrigava a farmácia e os gabinetes médicos (dr. Maciel) e dentário (Dr. Nilo, depois Maria do Céu – no meu tempo).

Zé Nazário. Era o chefe da marcenaria. Com ele, no desenvolvimento das aulas práticas de desenho (dr. Ilo) percebi, também, que não levava jeito para a profissão, mas aprendi a fazer encaixes em madeira (várias formas), noções de armação de telhados. Numa partida de futebol em Florestal, onde eu estagiava, ele me salvou numa situação de beligerância. Ele jogava no amador do Santa Tereza, da Escola.

O casal Geraldo e Geraldo Dias. Ela era tecelã. Moravam os dois numa casinha muito acolhedora na cabeceira de uma grota, no fundo do belo bosque que partia do fundo do artesanato, espécie de República de grande parte dos alunos do curso Normal. Era um casal muito simpático e agradável. O filho do casal, Antônio Dias, formou-se como professor e fez carreira como secretário do ginásio Santa Tereza, da escola.

Sargento Barroso. Era muito ligado à nossa turma por motivo muito especial: era esposa de dona Maria Célia, diretora do curso normal. Ele e sua família moravam no artesanato, na parte de baixo, onde também ficava a cozinha. O sargento Barroso era uma pessoa alegre e sempre dava conselho para a moçada. Com o temperamento dele era meio esquentado, muito diferente do de dona Maria, às vezes criava algumas arestas com alunos, mas nada demais, no fundo era zelo de pai.

Moacir Camargo e dona Enedina, um casal muito simpático que esteve na chefia do lar antes dirigido por Geraldo Barraco. Esse casal tem algo muito especial para a minha família. Tanto Moacir, como Enedina são tios de Terezinha,mãe de Janice, esposa de meu filho Ricardo e mãe dos meus netos Ricardo, Gustavo e Gabriel. E mais, minha esposa, quando aluna do curso normal da Escola Caio Martins de Esmeraldas, foi colega de Lazinha, filha do casal, assim como Wilson (motorista da Escola e craque das nossas quadras) e Picolé.

João Naves de Melo

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