CAIO MARTINS, RETRATO DE UM BRASIL DE HOJE

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XXXVI – Parte

OS EDUCADORES – III

Tantos foram os educadores que tivemos na Escola Caio Martins de Esmeraldas, homens e mulheres tão simples que, em seu mister, ainda que como meros servidores, se fizeram educadores pelo exemplo, pelo carinho e atenção dispensados aos alunos, em especial aos pequenos.

RAIMUNDA CASSIMIRO LIMA – como não lembrar daquela figura de físico tão frágil, mas de indômita força de trabalho,  muita personalidade e forte caráter. Começou como cozinheira da primeira República do Curso Normal Regional, com um grupo de 11 alunos (foto). Depois no Artesanato, com um grupo bem maior de alunos. Como cuidava de mudar o cardápio a cada dia, mesmo com as dificuldades da Escola, no que contava sempre com o apoio de dona Maria Célia que morava ao lado da República, tomando conta da moçada, e depois no Artesanato.  Dona Raimunda nos tratava como tratava seus filhos Virgínia (nossa colega de turma) e Márcio. Como posso esquecer a recomendação que ela fez a Vilma, quando nos casamos: “não deixe João Naves comer muita mandioca, pois ela lhe faz mal”. É que de uma certa feita, depois do exagero do consumo de mandioca frita (tão gostosa como ela sabia fazer) eu, deveras passei mal.

SEU VOLTAIRE. Para nós era o “sô Volté” que cuidava das parreiras de uva nas proximidades do artesanato e dos gansos que passeavam nas redondezas das lagoas, sempre tão barulhentos. Ele tinha uma maneira muito especial de se vestir: bermudão com o cós acima do umbigo – tornava-o uma figura caricata, mas muita simpática e amável. Como demos trabalho para ele atacando as uvas, mas ele via tudo com compreensão e bondade, ensinando e nunca condenando

SARGENTO LARA. Trabalhava no escritório. Por uns tempos foi chefe de um dos lares. Era um figura muito simpática, muito educado, que nos tratava muito bem. Não me lembro bem qual era o seu parentesco com Clarinha – filha ou irmã. Sei apenas que ela era o encanto aos nossos olhos: loura de olhos verdes como o Sargento Lara. O encanto só diminui quando ela começou um namoro com o professor (agricultura) Nícias, exímio violonista e cantor, que conquistou Clarinha com belas serenatas. – ele era de Patrocínio. Eu conhecia a família dele.

Banda de Música Furiosa

MAESTRO JUVENTINO. O coronel Almeida o garimpou no Corpo de Bombeiros, conhecidos que eram das barrancas do São Francisco. Seu Jovem, como era conhecido, foi maestro da banda de música de São Francisco, onde o coronel Almeida viveu quando adolescente. Seu Jovem formou a primeira banda de música da Escola, a nossa Furiosa. Ninguém acreditava, ora, partir do zero com uma meninada que sequer conhecia um instrumento musical. Em pouco tempo a banda já se exibia. Mais do que isso: formou músicos que, mais tarde, se ingressaram na banda do Corpo de Bombeiros e fizeram carreira militar. Entre eles Gilson e Nilson, filhos do seu Jove. E outros tantos, como Nelson (excelente violonista), Durval (se fez médico e pianista), entre outros. Eu, Raimundo e Saldanha, que éramos da banda de música do Instituto João Pinheiro, muito mais adiantados que os alunos recrutados pelo seu Jove, negligenciamos quanto aos ensaios. Quando acordamos, os novos músicos haviam nos deixado para trás. Constrangidos perdemos a oportunidade de participar da primeira banda de música da escola.

 

Casa de seu Chico e dona Targina

João Naves de Melo

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