CÂMARA MUNICIPAL: ILHA DO TESOURO

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O radialista Altamir Alves noticiou  no WhatsApp – grupo SF-Eleição 2020 –  que à Câmara Municipal de São Francisco foi repassada a importância de R$ 11.967.074,00 em três anos e cinco meses. A nota desperta a atenção e leva à reflexão sobre um assunto, que  passava ao léu. Assustador, e até escandaloso, considerando a pobreza do município de São Francisco. Pobreza refletida em um hospital que sequer tem  teste para a Covid-19 deixando a população entregue à própria sorte (veja vídeo no Portal SFMinas no Facebook, um caso estarrecedor).

Voltemos ao caso do repasse. É uma situação que remonta a legislaturas anteriores. Os vereadores da atual Legislatura encontraram esta situação discrepante e escandalosa. Contudo, deveriam refletir sobre o caso perguntando: o errado não pode ser consertado? Ora, atualmente, o vereador recebe o subsídio mensal de R$ 8.257,57, somando, no final do ano, com o absurdo do 13º,  R$ 107.348,41 – fora as diárias, como se vê abaixo.

Reflitamos o absurdo. O vereador participa de 4 reuniões mensais, geralmente com a duração de 2 horas cada, e recebe ao final do mês R$ 8.257,57. Uma professora da rede estadual, no início de carreira recebe perto de R$ 2.000,00 com uma carga de trabalho correspondente a 24 horas semanais – portanto, 22 horas a mais do que o vereador. Um agente de saúde, início de carreira recebe R$ 1.091,82. No caso, avalie-se os frutos do trabalho dos professores, dos agentes de saúde e dos vereadores.

Não fica só nisso. Consultando o Portal da Câmara depara-se com o aviltante pagamento de diárias, um escândalo. A cada semana têm vereadores viajando para Brasília-DF e Belo Horizonte – a diária para Brasília-DF é, no mínimo, R$ 1.300,00; para Belo Horizonte, R$ 300,00 – com o transporte da própria Câmara e, no caso, diária para os motoristas (são dois carros). Então, quando viaja, o vereador pode receber no final do mês, até R$ 9.857,57. E o que ele faz  em Brasília? Visita a gabinetes de deputados em busca de benefícios para o município. Ao cabo de três anos de viagens pergunta-se: onde estão os benefícios?

Como dito acima, a atual Câmara não é culpada pelo escândalo – é uma história que vamos contar no próximo capítulo. Contudo, sabendo-se que está errado, tem a obrigação moral de corrigir a discrepância, mesmo com a passividade da população que, por  preferência,  tem a crítica direcionada apenas ao Executivo.

Enquanto isso a ABAHSF busca, na comunidade, contribuições para atender às necessidades básicas do  hospital. Assim, no mar de pobreza de São Francisco, a Câmara Municipal é uma ilha – ilha do tesouro.

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