CNBB LANÇA CAMPANHA FRATERNIDADE 2018

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                “Fraternidade e superação da violência” é o tema.
O Evangelho de Mateus inspira o lema:
 “ Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).

A Campanha foi lançada oficialmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nesta Quarta-feira de Cinzas, 14/2/2018, e tem como objetivo geral “Construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência”. A cerimônia foi conduzida pelo cardeal Sergio da Rocha, presidente da CNBB, auxiliado por dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral. Entre os convidados, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, o coordenador da Frente Parlamentar pela Prevenção da Violência e Redução de Homicídios, deputado Alessandro Molon, e o presidente da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), Carlos Alves Moura.

Em sua mensagem, dom Leonardo ressaltou que “somos seguidores de Jesus. Mulheres e homens que renasceram em Cristo. Dele, recebemos a boa notícia de que somos filhos e filhas de Deus. Somos todos irmãos (Mt 23,8). Nascer, renascer em Cristo, maturar nele; chegar à plenitude como Ele! Somos seus discípulos, aprendizes. Uma vida inteira com os olhos fixos em Jesus (Hb 12,2). Voltados para Ele, vivendo dele, partilhamos ‘a sua própria santidade’ (Hb 12,12). Por Ele atraídos, somos enviados como anunciadores de sua presença inaudita. Missionários como Ele, o Missionário do Pai. Discípulos e discípulas da vida plena, missionários e missionárias do Reino da verdade e da graça, da justiça, do amor e da paz. Um Reino de irmãos!” Disse também que “sofremos e estamos quase estarrecidos com a violência. Não apenas com as mortes que aumentam, mas também por ela perpassar quase todos os âmbitos da nossa sociedade. A ética que norteava as relações sociais está esquecida. Hoje, temos corrupção, morte e agressividade nos gestos e nas palavras”.

Em sua mensagem, a ministra Cármen Lúcia afirmou que “há uma imperiosa necessidade de se superar o quadro de violência” vivido atualmente pela sociedade brasileira. “Quando o outro é o inimigo e não o parceiro, um aliado, a desconfiança pode marcar o pensamento e isso reverberar num sentimento que pode tomar conta de forma perigosa numa sociedade com marcos civilizatórios de pacificação. Essa pacificação que o Poder Judiciário procura permanentemente, que o juiz brasileiro busca exatamente resolver de forma racional, aplicando o direito na solução de conflitos, mas que precisa se transformar num momento de fraternidade”. A ministra Cármen Lúcia também destacou que a situação exige “solidariedade, fraternidade e a capacidade de amar e perdoar. Eu fico me perguntando em que sociedade sonhamos quando a desconfiança e a violência contra o outro é o que se prega, e o que pelo menos se põe como a semente que pode florescer fazendo do outro não seu irmão, mas alguém que é preciso combater. E como aplicar a fraternidade quando a delicadeza com o outro, a crença no outro, e a solidariedade com o outro não é a regra? Esta campanha que aqui se inicia neste ano dá conta da imperativa mudança que se impõe, que é crer que o irmão ao lado é um aliado, porque igual em sua condição humana e na idêntica centelha de dignidade que é o centro de cada um de nós”, sentenciou a presidente do STF.

Papa Francisco

Ainda durante a cerimônia foi lida a mensagem do papa Francisco, que afirma: “’É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação’” (1Co 6,2; cf. Is 49,8), “que nos traz a graça do perdão recebido e oferecido. O perdão das ofensas é a expressão mais eloquente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir. Às vezes, como é difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração, a paz. Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança é condição necessária para se viver como irmãos e irmãs e superar a violência. Acolhamos, pois, a exortação do Apóstolo: ‘Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento’ (Ef 4, 26).

Sejamos protagonistas da superação da violência fazendo-nos arautos e construtores da paz. Uma paz que é fruto do desenvolvimento integral de todos, uma paz que nasce de uma nova relação também com todas as criaturas. A paz é tecida no diaadia com paciência e misericórdia, no seio da família, na dinâmica da comunidade, nas relações de trabalho, na relação com a natureza. São pequenos gestos de respeito, de escuta, de diálogo, de silêncio, de afeto, de acolhida, de integração, que criam espaços onde se respira a fraternidade: ‘Vós sois todos irmãos’ (Mt 23,8), como destaca o lema da Campanha da Fraternidade deste ano. Em Cristo somos da mesma família, nascidos do sangue da cruz, nossa salvação. As comunidades da Igreja no Brasil anunciem a conversão, o dia da salvação para conviverem sem violência”.

 

 

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