CONTRADIÇÕES

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VOLTAIRE LIMÃO

A Califórnia arde em formidável incêndio florestal, inclusive destruindo habitações; petróleo, sabe-se lá sua origem, tinge de negro importantes praias e mangues do Nordeste levando imensos prejuízos às atividades do turismo e comunidades que vivem da pesca, em especial dos mangues; nos oceanos vão sendo formadas verdadeiras ilhas de plásticos comprometendo gravemente a vida animal e corais e, consequentemente, uma ameaça ao clima, pois se sabe que, verdadeiramente, o pulmão do mundo é o mar; nas cidades – e até no meio rural – é gravíssima a situação sanitária: o lixo doméstico e industrial polui o meio ambiente; o tratamento de esgoto é precário – e caro o uso; o Nordeste vive o drama da seca e tem a maior parte do seu território sem cobertura vegetal – as matas foram consumidas, no início da colonização, por portugueses, franceses e holandeses em prol do interesse econômico; o cerrado do Noroeste e parte do Norte de Minas transformou-se em carvão em certas regiões – São Francisco presente – e noutras em campos de pastagem e plantio de soja e eucalipto dando lugar à monocultura, a mesma que arrasou o Nordeste – e, assim, foi imenso o comprometimento do lençol freático alterando a vazão hídrica do rio Paracatu que, no ano passado passou por um período crítico, quase intercortado.
São apenas alguns tópicos dos problemas observados no Brasil com graves consequências ecológicas. Nessa situação é evidente que as relações dos seres vivos com o meio estão em sério risco. E não indo ao macro, ficando no micro, lembro que ecologia significa o “estudo da casa” ou o “estudo do habitat dos seres vivos”. Pois, bem, o mundo, em relação ao meio ambiente está uma pândega, são tantos e graves os problemas. Para resolvê-los, contudo, é preciso começar em nossa própria casa, é o primeiro passo. Assim, em escala menor – não, porém menos grave – dê um passeio pela orla do nosso amado e precioso rio São Francisco e observem o descaso que muita gente tem por ele transformando-o em local de despejo de lixo. Que vergonha! Que estupidez! E depois, na rede social, acompanhando à deflagrada campanha em prol da Amazônia – só por ela –, emitem as mais variadas opiniões, esquecendo-se de sua casa.
O problema está na Amazônia, preocupando até mesmo a Igreja Católica, que para encará-lo realizou um sínodo. Mas está, também, aqui perto de nós, do lado de cá e do lado de lá do rio, onde 90% dos mananciais já morreram, onde a represa da Jiboia secou, onde a população rural sobrevive, na questão da água, de carro pipa e poço tubular – por enquanto tem água no lençol freático. Mas até quando?

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