CONVERSAR PARA MELHOR VIVER

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Busquei em Schiller – “Quem teve a fortuna de encontrar num amigo um amigo…” – luz para falar sobre a conversa entre amigos. A vida dos tempos hodiernos nos tem levado a um afastamento do convívio dos amigos. Estamos sempre ocupados, trabalhando e trabalhando, e sempre precisando trabalhar mais ainda. Pouco tempo sobra para os amigos, para um bate-papo. Desvivemos. Puxa! Como é saudável e faz bem à alma, à saúde e tudo, separar algumas horas para “viver a vida”.
Numa determinada semana, por acaso, nos reunimos, cinco amigos, cinco irmãos escolhidos. Depois uma reunião de trabalho, um deles teve a feliz ideia de esticar o encontro com um bate-papo no bar do Nequinha. Revivi vários anos num prazer físico e metal, uma sensação de quem está navegando acima de tudo, sobretudo dos problemas. O reviver é poder reunir preciosidades, momentos que caldearam amizades, estabeleceram fortes liames e jogaram linhas bem delineadas para sólidas amizades. Passeamos em noites agradáveis – os saudáveis saraus na casa de Lucila e Altamiro. Ali, em noites “calientes”, como próprias e normais em São Francisco, os acordes dos violões de Dirceu Lelis, brilhante; João Canário, excepcional e Juquinha, vibrante. As vozes vinham cobrindo os acordes – eram tantos os cantores: Creuza, Beatriz e Silvana (ainda meninas); Jonas e Flávio (Caio Martins) e tantos outros que a memória consumiu (este é o mal de não cultivar as saudades nos papos).
E foi lá que vi, pela vez primeira, Cloves e Jacinta; Ozório e Joana. É claro que a turma era imensa, pois os corações do casal anfitrião eram maiores que a casa. No bar do Nequinha revivi o meu primeiro encontro com Ozório e Cloves, então voei ao passado. De lado, vibrando com as histórias, André, que na época era um garotinho, e Renato Bastos, que não tendo vivido aquele tempo, em nosso encontro acabou parte de cada lance. Porque é amigo e irmão e, nesse caso, assim como nós revivíamos a “vida”, ele, por simbiose, compôs a nossa história – amigo e irmão.
Nas linhas finais (muito mais teria para contar), anoto que passar alguns minutos na companhia do Ozório dá vasa à alegria, com seu palavreado e histórias intermináveis, com um jeito peculiar de dizer – toques, abraços, apertos de mão, vibração de voz e eloquência. A amizade é preciso, sempre.

João Naves de Melo

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