CONVERSÊ

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Não se sabe até quando vai ser esticada a apreciação pelo STF dos julgamentos das condenações criminais em segunda instância. Era assunto morto, ninguém falava sobre isso, era assunto encerrado. A única coisa que sabíamos era que, verdadeiramente, o pessoal do colarinho branco, até então, não conhecia a cadeia. Político, então, nem falar. Empresário rico, muito menos. A Lava Jato deu um basta na questão. Polícia Federal, Ministério Público Federal, juízes federais, desembargadores e ministros têm se posicionado a favor da operação e, com isso muita gente graúda foi para traz das grades e outros tantos estão a caminho.

Muitos brasileiros, a maioria, encheu-se de esperança e confiança: enfim o Brasil estava sendo colocado nos trilhos. Contudo, bastou levar o ex-presidente e fortíssimo candidato à presidência, à prisão, para que se reacendessea questão da segunda instância. O que já fora decidido em 2016, de repente,voltou a movimentar o Supremo. O que valia em 2016 agora passou a ser temerário, perigoso, injusto, um prejuízo à presunção de inocência, levar um réu à condenação apenas com julgamento em duas instâncias. Preciso era a terceira, onde os julgamentos caem em berço esplêndido e, como disse a Procuradora Geral da República, nunca são julgados a tempo de privar os grandes infratores de liberdade, especialmente os ricos que podem bancar as grandes bancas de advogados – muitas vezes pagos com frutos da corrupção, o seja, dinheiro do povo (veja caso Aécio: pediu 2 milhões de reais dos Batista dizendo que era para pagar advogado).

É impressionante a insistência sistemática dos ministros Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli em distorcer os fatos sempre votando contra a Lava Jato. Estão sempre perdendo, felizmente, mas não dão trégua, não descansam e não enxergam o mal que os corruptos – políticos e empresários – causaram ao pais. No caso, o ministro Roberto Barroso deu uma lição: “se a idéia é autorizar a prisão depois do STJ, que seja logo após a primeira decisão terminativa do tribunal. É uma forma de evitar a interposição interminável de recurso depois de recurso, até que o crime prescreva”.

E o caso do ex-governador Sérgio Cabral que conseguiu, por obra do quarteto, deixar a prisão em Curitiba, onde enfrentava um regime comum a todos recolhidos para voltar ao Rio onde, na prisão, tinha todas e grandes regalias. Fantástica foi a exposição do ministro Gilmar para dar seu voto a favor do ex-governador comentando “Pessoas de variada concepção política, religiosa, filosófica, acho que viram esse episódio do ex-governador sendo conduzido com ferros, todos ficaram pasmos. Aonde nós queremos chegar? Que tipo de alma está morando no corpo dessa gente”.

Não ocorreu ao ministro indagar que tipo de alma tem o ex-governador ao dilapidar o patrimônio do Estado do Rio de Janeiro deixando num verdadeiro caos o que lhe rendeu a condenação de 14 anos e dois meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

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