DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

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Dia Mundial do Meio Ambiente – uma data que guarda a maior importância para a humanidade, mas que, na situação atual, não dá motivo algum para comemorar. Numa visão de Minas Gerais – para não ir além – a data é para chorar. Uma catástrofe, o que ocorreu em Mariana e Brumadinho. O tempo passa e, como se fosse a coisa mais banal, já não se fala mais nas terríveis consequências; o que aconteceu, sequer tem servido de alerta para o que ainda pode acontecer. Minas tornou-se refém das mineradoras, o que não é de hoje, pois nos idos de 1816, Sant-Hilaire descreveu a atividade desenvolvida por elas, àquele tempo, como “uma rotina imperfeita e cega. Sem previdência para o futuro, entulham os vales com a terra das montanhas; cobrem com os resíduos de lavagens terrenos que ainda não foram explorados, e que contêm também grande quantidade de ouro; obstruem os rios com areia e pedras…”. Então, a busca do ouro vem corroendo Minas há mais de dois séculos e o dinheiro para aonde vai? E o prejuízo, com quem fica?
O resultado do desastre de Mariana reflete ainda hoje nas águas do rio Doce, um ecossistema totalmente comprometido e centenas de pessoas amargando enormes prejuízos. Em Brumadinho ainda escorre o caldo grosso destruindo o Paraopeba e ameaçando o São Francisco. Há uma ameaça de Belo Horizonte ficar sem água, não podendo contar com o Paraopeba e com o risco de igual desastre atingir o rio das Velhas. É claro, vai sobrar para a população ribeirinha ao longo do curso do São Francisco.
Barragens e barragens são ameaças eminentes. E os homens que podem decidir a respeito, o que fazem? Concedem mais licenças para a mineração por que as commodities são importantes – o povo, não.
Assistimos aqui em São Francisco a grave redução dos recursos hídricos. São tantos, mas tantos mesmo, os cursos d´água que estão se tornando intermitentes ou secos. As lagoas Grande, Pinhãozeiro e Bom Jardim não guardam mais aquela pujança de reserva – estão totalmente secas. Não há, até agora, uma atenção especial para o problema. Deputados e órgãos do governo ainda continuam distribuindo caixas-d´água, canos e abrindo poços tubulares sem se importarem, primeiro, com o armazenamento de água. Tanta estupidez. Não aprendem mesmo.
Com um cenário desse, como é possível festejar o Dia Mundial do Meio Ambiente? Serve a data como um alerta, como se isso adiantasse alguma coisa.

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