DOIS GRANDES VULTOS DE SÃO FRANCISCO

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O mês de julho nos traz à memória o nome de duas personalidades muito importantes na história de nossa cultura: Minervino e Adão Barbeiro.

Minervino Gonçalves Rodrigues Guimarães de uma pequena oficina na grota do Surucucu, nas proximidades do povoado do Angical, ganhou o Brasil com a sua famosa viola caipira e lindas rabecas. Em várias praças – Brasília-DF, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Campinas – chegaram os seus instrumentos. O seu nome ganhou noticiário e fama a partir de publicações no Boletim Carranca e Revista da Comissão Mineira de Folclore; vários vídeos (entrevistas), prêmios, publicações em livros de repercussão nacional e até mesmo uma participação no Natal da Xuxa. Seus instrumentos – viola e rabeca – foram levados ao Museu do Folclore no Rio de Janeiro, quando ele teve reconhecimento do IPHAN, que financiou uma escola de artesão, em sua oficina, no curso de um ano. Por sorte, ele fez um discípulo, o Geraldinho.

Minervino faleceu aos oitenta anos no dia 22 de julho de 2009. Na verdade ele se encantou, pois seu nome está gravado na história musical do País e no coração dos são-franciscanos amantes do folclore.

Adão Fernandes de Souza, mais conhecido como Adão Barbeiro. Foi o folião de São Francisco que mais se projetou no país. Foi personagem de diversos documentários e reportagens, fonte de inspiração para pesquisas de Paulo Freire, que tornou seu amigo;  foi reportado na revista Globo Rural, e muitos outros pesquisadores, recebeu prêmio da Comissão Fluminense de Folclore. Mestre de terno de folia fez-se famoso com as danças, que levava ao final de cada ofício, delas sobressaindo o lundu – do facão e da garrafa, inovações que ele introduziu dando mais encanto e suspense à dança. Introduziu em  São Francisco ao auto  Reis dos Temerosos, mantendo um grupo muito bem ensaiado, sempre requisitado para apresentações em ocasiões especiais e para receber visitantes na cidade.  Além de violeiro, exercia ele a profissão de barbeiro, e quando não estava no salão, podia ser encontrado na vazante ou na proa de uma canoa jogando a tarrafa.

Adão era devoto de São Pedro. Todos os anos o seu terno saía para homenageá-lo. Na manhã do dia 28 de 2003 ele tomou a viola, afinou-a e tirou os primeiros acordes ensaiando para a jornada do terno na noite daquele dia em homenagem a São Pedro. Nos primeiros toques, abraçado à viola, ele deu o último suspiro, encantou-se. Deixou-nos, em matéria, mas o que fez e plantou, vingou, tanto o seu nome, como os grupos que ele criou estão vivos na memória dos são-franciscanos e alhures, o seu nome ficou gravado em várias edições de livros sobre a cultura brasileira.

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