ENEDINO DE BRITO

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Sem dúvida, Enedino de Brito – seu Enedino – foi importante personagem da história de São Francisco. Homem simples, pode-se dizer do povo, mas que teve destaque no seio da sociedade como exemplo de trabalho, honradez, vida familiar, trabalho comunitário e de músico.
Enedino nasceu em São Francisco no dia 15 de maio de 1907, filho de Grigório Gonçalves de Britto e Vicença Maria de Britto. De ofício era carpinteiro. Fabricava móveis, telhados, pontes – encomendadas por fazendeiros – e até caixões. Os móveis fabricava na oficina, que tinha em sua própria casa, onde ensinou o ofício para muitos rapazes. Ele teve, também, participação na construção da Igreja de São José.
Ainda jovem ele tomou gosto pela música, aprendeu a tocar clarineta com os mestres Elízio Orbilon e Manoel Clemente – fato muito importante, pois foram dois respeitados mestres de São Francisco, regentes de bandas musicais. Com o tempo ele tocava em carnavais, circos, procissões e muitas vezes em sua própria casa, onde aos domingos se realizavam os matinês dançantes com as moças e rapazes da época.
Desempenhou importante papel na União Operária como músico e como sócio. Por muitos anos animou as noites de final de ano com o famoso “Reis das Pastorinhas” – Reis de Seu Enedino. Ao aproximar o Natal, lá ia ele de porta em porta com suas pastorinhas, sua clarineta e outros músicos, seus companheiros. Fazia tudo com muito amor e dedicação. Tinha o apoio de sua filha Gerinha para ajudá-lo em ensaios e assistência. O encerramento da jornada das Pastorinhas acontecia, sempre, em sua casa, com festas, comidas, licores, e foguetes. Era grande a alegria. Tudo era feito com respeito e amor ao Menino Deus. O Reis saía às ruas na época do Natal e encerrava a jornada na festa de Santos Reis. É de lamentar que, com o tempo, assim como outras manifestações do nosso folclore, foram se perdendo no esquecimento, levando um pouco de nossa riqueza. Outros foram os costumes que chegaram, quase todos exógenos fato que, em dias atuais, ainda minam as manifestações da terra.
Outra característica de Enedino, ligada à sua personalidade, era um ser solidário – tinha um grande coração, gostava de ajudar os pobres. Era vicentino, daqueles que pediam “esmola” de porta em porta, sempre aos domingos, para socorrer os desvalidos. Um trabalho solidário de grande importância, pois naquele tempo, não havia aposentadoria e benefícios para quem não contribuía com o INSS, os idosos dependiam da ajuda de outras pessoas. Aí destacava-se a ação de Enedino, um ser caridoso, religioso e carismático. Era devotado ao trabalho e à ação, as palavras “preguiça” e “não” jamais foram pronunciadas por ele.
Enedino foi casado com D. Nelcina com que teve 15 filhos, deles quase todos faleceram ainda pequenos, por falta de recursos na época, Sobreviveram apenas quatro: Adão de Brito (já falecido), João de Brito, Florentina (já falecida) e Gerinha.
Detalhe: a casa de Enedino existe até hoje, foi a primeira da rua Vila Operária, hoje Fabrício Viana. Foi reformada e nela reside a sua filha Gerinha. Quanto aos seus netos, todos tiveram a felicidade de conhecê-lo, alguns herdaram dele o gosto pela arte musical, pois sempre o viram tocando – caso de Sassá e Wendell (músicos).
Gerinha, que nos concedeu os dados sobre Enedino, fala com desvelado carinho sobre o pai: “Para nós aquele homem pobre nos deixou a maior riqueza: seu exemplo de vida, seu amor, sua honestidade, sua alegria, seu jeito simples de viver, seus ensinamentos. Sua eterna lembrança jamais sairá dos nossos corações”.

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