ESCOLAS FECHADAS – ESCOLAS EM PERIGO – I

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No Brasil Colônia, quando um tapete de florestas ocupadas por nativos, um mundo virginal, surgiu o primeiro sinal da ocupação do nosso território pelo branco e isso, na primeira e significativa notícia histórica, concretizada em 25 de janeiro de 1554 com ocupação do planalto de Piratininga e a fundação da cidade de São Paulo pelos jesuítas Manoel da Nobrega e José de Anchieta. As primeiras edificações: igreja e escola. Era como eles viam o meio de civilizar os índios – religião e educação.
O filósofo Arnaldo Niskier, no livro Padre Antônio Vieira e os Judeus, escreveu: “Em 1630 sonhava o rabino Isaac Aboab da Fonseca construir a primeira sinagoga brasileira – a ideia era manter uma sinagoga e uma escola da mesma forma que o padre jesuíta José Anchieta, um século antes, falava em construir uma escola ao lado de cada igreja”.
O educador Fernando de Azevedo, entre diversos tratados, escreveu o livro A Educação entre dois Mundos (1958), onde, entre outros temas ele discorre sobre os “Horizontes Perdidos e Novos Horizontes”, focalizando a situação da escola primária e outros aspectos da educação no Brasil. Ele conclama a “educação para todos, que é a defesa do espírito e da cultura, do povo e da nação”. Azevedo foca um momento importante na história do país – “a educação para todos, que é a defesa do espírito e da cultura, do povo e da nação”. Frisa, com propriedade, o fim de um período de hibernação do sistema educacional quando para ele se voltaram, primeiramente, os educadores e depois “políticos e homens de Estado que viam na divulgação do ensino elementar um dos instrumentos eficazes de preparação dos indivíduos para suas responsabilidades de cidadão”. Azevedo faz uma advertência, que nos chama atenção, sobretudo pelo que assistimos em São Francisco: “Exploram-se por toda parte com recursos e intensidades variáveis, as riquezas do solo e do subsolo; as riquezas vegetais, pelas atividades agrícolas renovadas pelas técnicas modernas; os de minério que se arrancam às entranhas da terra, como os depósitos de ferro, as minas de carvão e as jazidas de petróleo. Mas a maior de todas elas, a do material humano, deixa-se perder, em grande parte, ou se desperdiça pelo abandono quase total, pela miséria, pela corrupção, por moléstias e endemias, sem qualquer preparação para transformar todos os indivíduos em unidades econômicas ou produtivas a serem utilizadas nos mais diversos campos de atividades humanas. Ora, esse aproveitamento, por uma educação adequada, das gerações que vão surgindo, e só essa forma se incorpora, com todas as suas energias, ao patrimônio nacional, por onde se iniciará senão por uma educação básica, em grande escala e a maior elevada possível, sobre que se tem de erguer, no sistema escolar, o sólido arcabouço das mais diversas escolas destinadas à formação tanto de trabalhadores manuais e mecânicos quanto trabalhadores intelectuais?”
Esta reflexão nos leva a indagar, com profunda indignação e muita preocupação com o que acontece atualmente no Estado no campo da educação: por que, sem qualquer explicação, deixaram acabar uma obra reconhecida até mesmo fora o País – Escolas Caio Martins? Por que deixaram à beira do risco de fechar suas portas, as Escolas Família Agrícola? Sem dúvida, um retrocesso.

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