ESCORREGADA NA CÂMARA

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VOLTAIRE LIMÃO

Um público cativo ocupa o plenário da Câmara Municipal todas as noites das segundas-feiras, dia em que se reúnem os vereadores do município. O processo tem sido democrático, como proclamam muitos vereadores em entrevistas. De fato, o plenário da Casa tem sido palco dos mais variados meios de reação, das críticas aos protestos; de filmagens e selfies, à exibição de cartazes – teve até ameaça de cadeirada por parte de uma autoridade municipal.
Percebe-se, nos desdobramentos dessas atabalhoadas reuniões, uma vontade de colocar ordem no plenário, mas o que resulta, quase sempre, é a ação policial chamada a intervir. Isso é mau, pois desfigura a natureza democrática.
Plenário à parte, coloca-se em observação o trabalho dos vereadores. Com a nova composição da Mesa Diretora e bancadas, deixando bem nítido o quadro de posição e oposição, a Câmara degringolou, transformou-se em palco de debates e discussões inúteis. Em relação ao prefeito do município, o que se tem, ultimamente, é uma “briga de cachorro e gato”. A oposição ao governo municipal quer por que quer cassar o prefeito, mas não encontra o caminho.
Assim, em cada reunião há uma novidade. Alardeia-se o fato pela rede social, conclama-se a presença do público e no dia, começa o espetáculo – sim, pois com o remar sem destino e de discussões inúteis, tudo vira festa. Teve o caso do nepotismo cruzado. Cruzado o quê? Vereadores na mira de cassação empregaram parentes na Câmara? No muito, pode ser uma questão amoral, com fincas mais agudas na atitude do prefeito ao aliciar votos de vereadores. Isso é outro caso. Quem perdeu nesse imbróglio foram os servidores que há mais de 8 anos trabalhavam na Prefeitura e, que, por uma casualidade ou infelicidade, tiveram um vereador parente sendo eleito e, assim, demitidos.
Na reunião da segunda-feira 22, a oposição entrou com um requerimento visando processar o prefeito por não atender aos requerimentos aprovados pelo plenário. Ora, reza a Lei Orgânica do Município que o não atendimento de pedido de informações pela Câmara, o prefeito está sujeito a infração administrativa. Daí pensar em cassação, pela Câmara, é impossível no status quo, pois a oposição não tem dois terços dos votos necessários para abrir um procedimento contra o prefeito. Pode malhar até cansar. Somente responderá ao ditado de “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” se conseguir atrair os votos do grupo do prefeito. Não conseguindo, a única maneira é levar o prefeito às barras da justiça por falta de cumprimento de suas obrigações constitucionais. No mais, é só fazer cócegas e servir de motivo de pilhérias no meio de seus adversários, que festejam, a cada derrota deles, em mesas de bar.
Enquanto fica-se nesse vai não vai, a cidade vai se consumindo; o município todo se desintegra. Um ano e tanto passado e nenhum projeto ou programa que possa vislumbrar tempos novos para São Francisco.

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