FUTEBOL, E O ESTIGMA DO JÁ TEVE – I

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Conquanto haja motivos – e muitos – para endossar o lamento de João Botelho Neto em relação às perdas de São Francisco, quando dizia “São Francisco, cidade do já teve”, em certos setores da comunidade já se vê uma linha diferente de encarar a realidade: quebrar o pessimismo.
É mesmo, é preciso pensar positivo – pensar e agir. Um caso, para começar, é o nosso futebol. Vejamos.
O futebol não é paixão apenas dos brasileiros. O envolvimento apaixonado de torcedores se vê, atualmente, com a facilidade das transmissões de TV, na Europa, África, Ásia, América do Norte. No Brasil curte-se muito, em todos os centros e, em alguns casos, irradiando-se além-fronteiras, como Fla x Flu, Corinthians x Palmeiras, Grenal e, para nós, Atlético x Cruzeiro.
E em São Francisco? Olha só, de volta o pessimismo – já foi o tempo. Foi o tempo de Joãozinho Figueiredo, craque do Comercial e, depois, presidente do Dínamo; Oscarzinho e o São Francisco (camisa do Botafogo), Tenente Romário e o Barranqueiro; Altair e o Lajedo; João Calonge e o Caio Martins; Edmilson e o Dínamo; Racing, o canarinho de uma meninada – só para citar alguns grandes clubes. De tempos nem tão remotos, ainda luziu o Sucupira do delegado Sebastião.
Dois estádios – um na cidade (onde hoje está o Centro Cultural) e outro na Escola Caio Martins, no puro chão. Os campeonatos ferviam. Partidas intermunicipais. Campos lotados, torcidas apaixonadas.
No governo de Pedro Mameluque, um importante salto, um estádio fechado, com arquibancada, alambrado e gramado – inaugurado o Presidente Médici. Os esportistas vibraram. Campeonatos e torneios que arrastavam multidão de torcedores às arquibancadas, isso depois de carreatas pelas ruas da cidade, com muito foguetório. Estrela e Dínamo dividiam o gosto do público. Um era uma novidade com seu uniforme grená e a estrela branca, reproduzida em faixas que ornavam cabeças de belas torcedoras (Creuza Oliveira era a rainha). A moçada do Dínamo, para não ficar atrás, inaugurou um bandeirão, verde como seu uniforme. Disputava com os dois, menos forte, mas muito bom, o Flamengo de Dida e Pascoal. Os títulos eram alternados: Dínamo – Estrela.
Tantos jogadores que fizeram história e alegria das torcidas: Rufino, Geraldinho, João Canaro, Braga, João Naves, Ailton, Valinho, João Gambá, Edvalson, Butinão, Almir, Toninho Pereira, Célio, Bazinho, Wilton, Joãozinho de Ubaí, Valfrido, Luizão da ACAR, Dragão, Pascoal, Beto, Grima, Tulete, o folclórico Nô, Celson, Fom e tantos outros.
O tempo foi passando… Motivos muitos podem ser levantados para tentar justificar a derrocada do futebol em São Francisco, que já teve até campeonato regional com equipes de Pintópolis e Vila do Morro. E, de repente não mais se fala sobre nosso futebol. Até o estádio foi fechado para uma reforma que mais parece a rede de Penélope, não acabava nunca e quando voltou sem brilho, sem chamar a atenção das torcidas, pois faltam os times.
Temos mais histórias para depois.

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