MADURO MAIS FORTE QUE TODOS PENSAVAM

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Adalgisa Botelho de Mendonça

Diversos fatos contribuíram para a atual crise política, econômica e social venezuelana, agravada com a recusa de diversos países em reconhecer a legitimidade do segundo mandato presidencial de Nicolás Maduro e a auto declaração de Juan Guaidó como presidente interino.
A situação da Venezuela é séria com inflação descontrolada, falta de alimentos, remédios, empregos. O país tem sua economia dependente em 95% na extração de petróleo e seu principal importador, Estados Unidos, suspendeu a compra por não concordar com o governo de Maduro.
Maduro está com o exército nas mãos, a polícia e criou até uma milícia para dar sustentação ao seu governo. Apesar do descontentamento popular não há como rebelar sem armas. Sem opção, muitos migram para países vizinhos como Colômbia, Brasil, Peru, etc.
Hugo Chaves, pai político de Maduro, foi eleito em 1988, reeleito em 2000 e em 2004, apesar da oposição, conseguiu um referendo para permanecer no poder. Chaves era amado pelos venezuelanos pobres por causa do seu jeito simples, da sua retórica antiamericana e acima de tudo pelos generosos programas sociais bancados com dividendos do petróleo. Chávez polarizou a Venezuela em seus 14 anos de governo, e críticos o descrevem como um déspota que arruinou a economia, intimidou adversários e colocou investidores e famílias de classe média em fuga.
Com Maduro, os problemas fiscais do governo aprofundaram a crise. A receita da venda de petróleo caiu pela metade, o que fez com que o déficit do governo aumentasse. Nesse cenário, Maduro poderia ter optado por reduzir as despesas e aumentar os impostos. Mas essas medidas seriam impopulares. Em vez disso, a Venezuela fez com que a imprensa escondesse as contas. A inflação em alta foi mais um fator a afetar a já debilitada economia.
Venezuela não é um país qualquer da América do Sul, individualmente ele detém a maior reserva mundial de petróleo. Na mineração, podemos destacar ainda a extração de petróleo, gás natural, carvão mineral, bauxita (de onde se produz o alumínio), ouro e minério de ferro. Os principais produtos agrícolas eram: cana-de-açúcar, banana, abacaxi, milho, laranja, arroz e mandioca. Na pecuária se destacavam as criações de bovinos, suínos, caprinos e aves.
Devido à crise econômica a agricultura e pecuária diminuíram muito a produção; no entanto, os minerais continuam no solo e muitos são os países que interessam manter relações com a Venezuela.
No rol dos “amigos”, China está de olho nos seus investimentos. Pequim emprestou mais de US$ 50 bilhões para a Venezuela. Para a Rússia, a Venezuela representa um interesse geopolítico “muito importante” para “neutralizar os interesses” dos Estados Unidos em áreas tradicionalmente consideradas de influência russa. A Turquia está em busca de ouro venezuelano e a Índia teme que o petróleo encareça.
Os Estados Unidos querem derrubar logo o governo de Maduro, no entanto, União Europeia e 13 parceiros do Grupo de Lima, inclusive o Brasil, preferem o caminho da conciliação, isto é, concordam com uma transição democrática conduzida pelos próprios venezuelanos, “sem uso da força”.
Em retaliação, Maduro resiste e mandou fechar fronteira com os países vizinhos às vésperas do envio de ajuda humanitária pedida pela oposição. Mesmo com bloqueio e reforço de militares da Venezuela, venezuelanos e brasileiros usam rotas clandestinas para cruzar fronteira. Não sabemos até onde irá essa queda de braço; enquanto isso o povo venezuelano sofre.

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