MINHA JANELA

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Só se vê bem com o coração.   

(Antoine de Saint Exupéry)

Meus olhos são as janelas para o mundo. Minhas pálpebras são as cortinas destas janelas.  Quando estão abertas, eu vejo tudo aquilo que está à minha volta.  As coisas boas e as ruins. A felicidade e a tristeza.  A riqueza e a pobreza.  A maldade e a bondade.  Os homens bons e os maus. Os amigos e os inimigos. O emprego e o desemprego. O monitor do meu computador perante o qual passo horas.

Quando estou triste, ou estou cansado, ou ambas as coisas ao mesmo tempo, eu fecho os olhos por um instante. Baixo as  cortinas. Então, se opera uma magia!  Uma janela se abre, e eu passo a ver só aquilo que quero:

O rosto da minha amada com os olhos brilhantes olhando para mim, dizendo sem pronunciar uma palavra que me ama para toda a nossa eternidade.

O rosto de um bebê bem fofinho sorrindo para o mundo e para sua mamãe.

Uma orquestra de querubins e serafins tocando doces músicas embalando no céu a alma dos poetas e dos enamorados.

O pôr do sol acompanhado de minha amada, de mãos dadas, caminhando pela praia.

Minha filha dando os primeiros passos, caindo e se levantando em seguida, para cair novamente.

O baile de formatura da minha filha, quando dançamos uma valsa e eu lhe disse que sonhava com aquele momento desde o dia em que ela nascera.

Minha primeira professora de quem eu gostava imensamente e que me tratava como um filho que ela não teve.

O dia de minha formatura, quando me graduei em agronomia e já tinha emprego garantido. Eram outros tempos aqueles!

O aperto  por que passei no dia da minha defesa de tese.

Um doce diálogo entre Romeu e Julieta, os eternos amantes de Verona.

O canto do sabiá junto à janela de meu quarto nas belas manhãs de primavera.

Os bailes da década de 60 quando eu  dançava  boleros de rosto colado com a namorada.

Enfim, com as pálpebras cerradas – as cortinas dos meus olhos – só vejo as boas e belas coisas da vida.       Ou seja, só vejo aquilo que quero ver.

Tarcísio Barbosa
jtbarbosa500@yahoo.com.br

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