O FUTURO DO PLANETA NA ÓTICA E NAS MÃOS DOS JOVENS

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Jovens ativistas se rebelam contra os interesses econômicos desenfreados que dizimam o planeta e ameaçam a vida

Uma nova geração de jovens ativistas está mostrando que muitos adolescentes estão preocupados com problemas sociais, políticos e ambientais – eles sabem e fazem a diferença.
Malala Yousafzai quando tinha 11 anos, escreveu e publicou um diário anônimo sobre sua vida no Paquistão sob o regime do Talibã. A obra virou um sucesso rapidamente. Ela se tornou ativista pelo direito à educação das crianças, especialmente das meninas do seu país.
Três anos depois ela levou um tiro na cabeça quando estava em um ônibus escolar – a ação foi uma represália por seu ativismo político. Apesar dessa tentativa de assassinato ela continuou com suas causas. Ao contrário, seu ativismo só aumentou. Em 2014, ela foi capa da revista americana Time e, nesse mesmo ano, tornou-se a pessoa mais jovem da história a ganhar o Prêmio Nobel da Paz.
Emma González fez um discurso emocionante sobre controle de armas de fogo, depois que um homem armado com um fuzil semiautomático matou 17 pessoas em um tiroteio na escola secundária Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Flórida, em fevereiro de 2018.
Depois do trágico episódio, muitos dos adolescentes que sobreviveram ao tiroteio começaram uma campanha nacional para tentar acabar com a violência praticada com armas de fogo. Emma González, que tinha 18 anos, emergiu como uma das líderes desse novo movimento. Depois, ela participou da fundação de um grupo que promove o controle de armas, chamado Never Again (Nunca Mais).
Em março desse ano, ela fez um discurso emocionante na Marcha pelas Nossas Vidas, que juntou centenas de milhares de pessoas em Washington – o protesto exigia o controle de armas de fogo nos Estados Unidos. No discurso, ela leu os nomes de seus colegas de classe que morreram no tiroteio na escola. Logo depois, a multidão ficou quatro minutos em silêncio, tempo que durou o ataque ao colégio. “Lutem por suas vidas antes que seja trabalho de outra pessoa”.
Após a campanha de Emma e seus colegas, os deputados da Flórida aprovaram a Lei de Segurança Pública da Marjory Stoneman Douglas High School, que aumentou de 18 para 21 anos a idade mínima para a compra de armas de fogo no Estado.
Com 15 anos, o estudante do ensino médio Jack Andraka inventou o que parecia ser uma forma mais barata de detectar o câncer de pâncreas. O adolescente, que ganhou US$ 75 mil (R$ 294 mil) na Feira Internacional de Ciência e Engenharia da Intel por sua criação, disse que teve a ideia do projeto lendo artigos científicos gratuitos na internet.
O teste, que ainda está no estudo de viabilidade, consiste em uma tira de papel coberta com uma solução de nanotubos de carbono e um anticorpo especial, de acordo com a revista Wired. O equipamento requer um sexto de uma gota de sangue para funcionar. No entanto o estudo ainda está em desenvolvimento.
Amika George liderou um movimento para conseguir produtos de saúde de forma gratuita para adolescentes pobres. Uma instituição de caridade que geralmente enviava produtos menstruais para meninas na África teve de redirecioná-los para a cidade inglesa de Leeds, porque havia meninas na Inglaterra que não podiam pagar por eles. Depois de ler essa história, a estudante Amika George decidiu que precisava fazer algo para combater a chamada “pobreza menstrual”.
Ela que fundou a campanha #FreePeriods (em tradução livre, algo como “menstruação grátis”) aos 17 anos, organizou um protesto em frente à residência oficial da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May. Ocorrida em dezembro de 2017, a manifestação reuniu 2 mil pessoas vestidas de vermelho, pedindo que o governo fizesse alguma coisa. Sob pressão, o governo britânico anunciou em março de 2019 que financiaria produtos de saúde gratuitos para todas as escolas e faculdades do Reino Unido.
Greta Thunberg, em agosto do ano passado, passou a faltar às aulas nas sextas-feiras para se sentar em frente ao Parlamento sueco, em Estocolmo, para exigir medidas concretas dos políticos contra o aquecimento global.
O ato, inicialmente solitário, inspirou jovens de todo o mundo a aderirem ao movimento, que ficou conhecido como “Fridays For Future” – e culminou em uma greve escolar global no dia 15 de março, quando milhares de estudantes foram às ruas para protestar, inclusive no Brasil. Ela já se encontrou com o papa Francisco, discursou no Parlamento Europeu e participou de eventos internacionais – como a Conferência do Clima da ONU, e o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
“É preciso deixar claro que esse discurso incomoda a direita por causa da ameaça de seus negócios. Mas o que Greta diz tampouco é novo”, diz o deputado chileno Diego Ibáñez. Em entrevista a um jornal local, o parlamentar lembrou que o fenômeno Greta tem relevância na mídia “porque vem do mundo europeu e encontra certos cânones que são acionáveis pela mídia”. Mas “o que Greta diz é o que o povo mapuche e os povos indígenas da América Latina vêm dizendo por mais de 200 anos”.
Greta Thunberg e outros 15 jovens ativistas apresentaram queixa contra a falta de ação governamental na crise climática. A ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, e outros 15 jovens ativistas de diversos países apresentaram uma queixa na ONU contra cinco países – entre eles, o Brasil – por não fazerem o suficiente para impedir o aquecimento global. A falta de ações adequadas, segundo o grupo, constitui uma violação dos direitos infantis. Eles acusam Alemanha, França, Brasil, Argentina e Turquia de não cumprirem suas obrigações sob a Convenção dos Direitos da Criança, assinada há 30 anos.
A ONU informou que a queixa do grupo foi apresentada por meio do chamado Terceiro Protocolo Facultativo da Convenção sobre os Direitos da Criança, um mecanismo que permite que crianças ou adultos em nome delas apelem diretamente às Nações Unidas em busca de ajuda caso um país que ratificou o Protocolo não forneça uma solução para uma violação de direitos.
Greta Thunberg voltou ao noticiário depois de fazer um forte discurso na abertura da Cúpula sobre Ação Climática. “Eu não deveria estar aqui. Eu deveria estar na minha escola, do outro lado do oceano. E vocês vêm até nós, jovens, para pedir esperança. Como vocês ousam? Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias”, disse.
“As pessoas estão sofrendo e estão morrendo. Os nossos ecossistemas estão morrendo. Nós estamos vivenciando o começo de uma extinção em massa. E tudo o que vocês fazem é falar de dinheiro e de contos de fadas sobre um crescimento econômico eterno. Como vocês se atrevem?”
Dia 11/12/2019 Greta foi escolhida personalidade do ano pela revista Time. Com apenas 16 anos e portadora de Síndrome de Asperger, um tipo leve de autismo. No dia anterior a indicação do seu nome como personalidade do ano, ao ser questionado sobre o assassinato de dois indígenas no Maranhão, o presidente Jair Bolsonaro chamou Greta de “pirralha”.
No domingo, a ativista afirmou: “Os povos indígenas estão sendo literalmente assassinados por tentar proteger as florestas do desmatamento. Repetidamente. É vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso”, escreveu a jovem.
A ativista respondeu de forma bem-humorada a Bolsonaro e colocou o termo utilizado pelo político brasileiro na descrição de seu perfil no Twitter. Além de Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também já criticou Greta e a chamou de “histérica”.

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