O POLÊMICO FINANCIAMENTO

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Pretende o prefeito Veim um financiamento junto à Caixa Econômica Federal no valor de R$ 15 milhões com fim de aplicar em infraestrutura urbana e rural e aquisição de máquinas. O projeto de lei foi levado à Câmara Municipal para obter a autorização. Acendeu-se o burburinho das controvérsias. Vereadores se viram diante de um impasse, sem capacidade de alcançar uma decisão imediata tal o clamor público contrário ao financiamento. Realizou-se uma audiência pública que não teve mais do que perda de tempo e conversas vazias. Houve o comparecimento de alguns setores da comunidade, como a OAB e Maçonaria, mas sem espaço para manifestação, comparecendo como meros assistentes – sequer houve um livro de registro de suas presenças. Segunda-feira 14, o Dia D. A decisão cabe aos vereadores. Se é para ouvir a população, que se lhe dê voz, púlpito, que seja convidada a se manifestar através da fala. Ora, tudo isso é desnecessário. O vereador sabe, só não quer – ou não pode tomar decisão por causa das amaras que se sabe, já existem. Tão flexuoso caminhar até mesmo de se evocar Hamlet na atroz dúvida “ser ou não”, votar a favor ou votar contra. Estar com o prefeito ou com o povo; com a sua consciência ou sua necessidade. Pois é, tem-se de entender que o político escolhido pelo povo para representá-lo deve, sem qualquer arrepio, estar com suas aspirações e manifestações. Eleito e tomando posse, o vereador não pode se desassociar do cidadão que o elegeu, deve ouvi-lo – claro, sem perder sua autonomia.
Sem entrar no mérito da questão, ou seja, da premência ou necessidade do financiamento, algumas questões devem ser postas e examinadas. Vejamos:
Uma: o município tem uma dívida de R$ 15 milhões com o instituto municipal dos servidores – débito vinculado às receitas federal e estadual. Com mais 15 serão 30 milhões de reais aguardando as futuras administrações, ou seja, cava-se o abismo financeiro.
Dois: adquirir caminhão pipa, caminhão compactador de lixo, caminhão usina micro pavimento (!). Pelo que se tem de máquinas sucateadas nas garagens da Prefeitura é de se pensar no destino próximo dessas máquinas. Ademais, para fazê-las funcionar haverá custos – operadores, combustível, manutenção, etc. etc. Não seria mais plausível terceirizar o serviço? Assim não é com a coleta de lixo? Assim não poderá se fazer com patrulha mecanizada para recuperação de estradas vicinais? Com máquinas que sempre dispôs a Prefeitura não conseguiu resolver o problema. Então, para que mais máquina. A mesma coisa se diz respeito ao caminhão-pipa. Um só resolveria o problema? É engodo, sabendo-se que o Exército tem vários caminhões atendendo a população rural. Um caminhão não fará diferença. Compactador e caminhão micro usina. Certamente terá serventia para tapar as crateras que tomaram cotas das vias públicas da cidade. Para pavimentar ruas, ponha em funcionamento a fábrica de bloquetes que dorme no Parque de Exposição.
Possivelmente seria até necessário o financiamento, mas não pelo proposto, sabendo-se que áreas mais importantes do município estão no perrengue: saúde, assistência social, cultura, esporte…
Reflitam sobre isso, nobres edis da amada … e sofrida São Francisco.

Voltaire Limão

EMPRÉSTIMO DO BARULHO

O prefeito Veim pretende contrair um empréstimo de R$ 15 milhões com a Caixa Econômica Federal para empreender algumas obras e adquirir maquinários. Não deu outra, assim que o assunto vazou da Câmara Municipal com a leitura do projeto de lei pedindo autorização para contrair o financiamento. Como uma bomba o caso foi para as ruas e ganhou muita mais opiniões contrárias que a favor. Debalde os esforços do prefeito e sua equipe junto aos vereadores e em postagens em rede social, o desidério não avançou.
Veio, por fim, um imbróglio envolvendo setores da igreja católica. Na tentativa de desacreditar qualquer posição dos religiosos, postaram Fake News, com montagem de foto. Piorou a situação. Para complicar, foram envolvidos os evangélicos e, por isso, alardeou-se uma crise maior, uma guerra espiritual.
Essa guerra deixou à Câmara Municipal o ato da decisão. Então, como diz o brocado popular, os vereadores ficaram entre a “cruz e a caldeirinha” – como em um interflúvio de olho em duas correntes em sentidos contrários.
Nove vereadores escolheram um caminho, o do povo. Cinco escolheram o caminho do prefeito. Agora, delineia-se uma nova história para a Câmara Municipal.

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