O QUE QUEREM DA ESCOLA FAMÍLIA AGRÍCOLA?

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A notícia chegou à comunidade são-franciscana de forma bombástica, causando espanto e indignação: a destituição da professora Nilva Vieira da função de diretora da Escola Família Agrícola Tabocal, tomada de forma abrupta e unilateral pela presidência da Associação que administra a entidade. Segundo se sabe o Conselho da entidade não foi consultado, não houve formalização de um processo, nem nada. Exclusão pura e simples.

Não vamos entrar no mérito da questão, dos motivos que levaram o presidente da entidade a tomar tal decisão. Atemo-nos, no entanto a alguns fatos peculiares e que merecem comentários.

Primeiro: como foi instalada a EFA em São Francisco. No dia 21 de outubro de 2004, juridicamente, foi criada a Associação EFAT; as atividades escolares tiveram início no dia 3 de outubro de 2005 na comunidade Tabocal, recebendo o apoio da Prefeitura que contratou Nilva para dirigir a escola que funcionava em instalações modestas e precárias: prédio de uma escola municipal desativada (três salas) e alguns galpões próprios de construção rural. Nilva Vieira dedicou-se de corpo e alma à instituição buscando recursos e apoios para melhorar as suas instalações. Amolou o quanto pode  o Executivo Municipal cobrando apoio. Depois estendeu seus tentáculos a municípios vizinhos.  A comunidade de Tabocal abraçou a instituição, o que aconteceu, logo a seguir, com a comunidade são-franciscana no todo. Consolidada, ainda que de forma precária, mas cumprindo seu desidério, a EFA alçou voo mais distante chegando a municípios da região, de onde vieram levas de jovens campesinos.

A EFAT passou-se por um período de intenso trabalho promovendo vários encontros contando com a presença de técnicos e autoridades governamentais de São Francisco e de outras regiões do Estado.

Nilva não quietou, não assentou-se sobre os louros colhidos. Quis mais, pois a EFA tinha missão maior, preciso era crescer para atender à demanda de jovens rurícolas sequiosos de profissionalização. Com isso, conseguiu instalar a Escola em novo espaço, levando-a no dia  19 de janeiro de 2011  para instalações próprias na fazenda  Granja Primavera, com apoio da comunidade. Saiu, de novo, do nada, iniciando-se em instalações mínimas e precárias. Não faltou apoio da Prefeitura, Secretaria de Meio Ambiente e do Codema de São Francisco, sempre se  presentes junto à entidade, pois viam (e veem) em seu trabalho a melhor maneira de desenvolver ações em defesa do meio ambiente e recuperação de recursos hídricos, pois os alunos da escola são oriundos do meio rural e, formados, voltam para sua região – tornam agente para transformar (e melhorar) o meio, o que nos lembra o trabalho passado da Escola Caio Martins na formação de jovens líderes rurais – modificar o campo através da criança.

A EFA cresceu. Novas instalações, tudo novo e melhorado. Um exemplo. A princípio à míngua de recursos financeiros. Por diversas vezes vimos Nilva pedindo ajuda de terceiros e entidades para suprir necessidades urgentes da instituição – dava dó. Mas ela superou os obstáculos, teve fé e coragem.

A EFA hoje é outra – uma bela escola foi levantada no meio do nada, terra seca,árida que ganhou vida. Nilva, bem entrosada com a comunidade e a comunidade entrosada com a EFA, mercê do que Nilva plantou anos a fio. Eis que vai chegando o momento de colher os frutos. E o que ela ganhou de forma abrupta, como um coice? Cartão vermelho inexplicável.

Agora, para que os são-franciscanos tomem conhecimento e consciência: perdemos a Copasa, perdemos o Instituto Técnico Federal e, pasmem com esta situação: quem manda na EFA, a EFA que nasceu e está plantada em nossa terra, é Januária. Élá que mora o presidente da entidade, que tudo decide e emana suas ordens.

No dia 19 de janeiro de 2011 a EFAT foi transferida para instalações próprias criada a Associação

EVOLUÇÃO DA EFA TABOCAL

O primeiro painel de fotos abaixo mostra a evolução da EFA: os primeiros anos na comunidade Tabocal, em instalações humildes, precárias, onde recebia caravanas de educadores e pesquisadores de vários pontos do país, todos enaltecendo a obra. Mostra, também, a participação do prefeito Luizinho, presidente da Câmara Municipal Dirceu Rodrigues, técnicos da Emater (Marcão), do IEF (Alvino), do Ima (Ozório) vereador João Herbert e moradores da comunidade.

O segundo painel mostra os primeiros momentos da construção da EFA na Granja Primavera, em terreno adquirido.

O terceiro painel, a EFA atualmente com os projetos em andamento e exposição feitas por alunos diante de banca de apreciação.

CULTURA

A EFA cuidou também da preservação da nossa cultura. Nilva incentivou os alunos para se interessarem pelo nosso folclore. Assim, em diversas ocasiões, a EFA é chamada para apresentar o seu grupo de dança Rei dos Cacetes e o auto do Bumba-meu-boi.

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