ONDE SE PERDE O PREFEITO

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Evanilso Aparecido Carneiro – Veim – foi eleito prefeito traduzindo a manifestação de grande parte do eleitorado são-franciscano com a convicção que ele simbolizaria a realização de mudanças na forma de administrar o município e, consequentemente, guardando o anseio de ver o município se desenvolver.
Veim, um iniciante em política, sem base eleitoral senão a grande massa popular e forte apoio do comércio, nas urnas derrotou duas poderosas correntes políticas, amparadas por forte esquema eleitoral. Miguel Paulo tinha a base do PT, ultimamente a maior expressão política do município, com o apoio dos governos federal e estadual através, sobretudo, do deputado majoritário Paulo Guedes. Cida Ramos vinha de uma expressiva votação para deputado estadual e com o apoio de fortes bases políticas do município. Triunfou o apelo popular.
A pergunta hoje é essa: de onde vem o apoio popular? Evidentemente que da camada mais humilde da população e de correntes que desejam mudanças – no caso mais expressivo, o funcionalismo público, em especial a classe dos professores. Luizim, conquanto ter levado a efeito um bom governo, com realizações nas áreas ambiental, rural e social, foi defenestrado.
Veio, então a salvação – era o esperado. Contudo, ao cabo de um ano e quatro meses de governo, Veim tem provocado saudades de Luizim. Esperava-se dele um governo ativo, livre de amarras políticas e conchavos, considerando que era um cidadão operoso, conceituado profissional da área privada. O sonho dos são-franciscanos que nele apostaram transformou-se em um sono Rem, passageiro, fugaz.
Onde errou o prefeito Veim? Pode-se dizer que tentou formar uma boa equipe de assessores e até começou bem. Não levou tempo para que deixasse que influências deletérias e agentes invejosos provocassem defenestração de profissionais competentes mais próximos e deu início a um interminável troca-troca de auxiliares, nem sempre tendo os melhores na reposição. Assustou à população o fato de colocar de lado profissionais do município – seriam eles menos qualificados? Para substituir alguns, ele trouxe profissionais dos municípios de Arinos, Unaí e Brasília de Minas. O fato causou estranheza a muita gente.
O que mais se soma no contexto do sonho não realizado? Por nefasta assessoria, o prefeito deu um baque na relação com a Emater, hoje funcionando a meio termo. Enterrou o projeto Agregarural que trazia a visão do futuro, resolvendo pensar pequeno, por influência de assessores mal intencionados. Nesse caso, há uma ilustração interessante feita por Voltaire em seu Dicionário Filosófico. Conta um fato ocorrido com o professor matemático Wolf, da universidade de Halle. A fama desse professor atraía um milheiro de alunos de todas as nações para aquela universidade. Outro professor, sem o mesmo prestígio, porém invejoso, levantou séria calúnia contra Wolf. A cabala, com apoio de outros invejosos, levou a um resultado conclusivo contra Wolf, que obrigou o rei a propor-lhe um dilema: ficar na universidade e ser enforcado ou deixá-la. Wolf preferiu a segunda opção. A sua partida, contudo, privou o rei de 200 ou 300 mil escudos anuais.
A conclusão tira Voltaire: “Este exemplo serve para mostrar aos soberanos que nem sempre é conveniente dar ouvidos à calúnia e sacrificar um grande homem à inveja de um imbecil”.
Veim está perdendo seus escudos.

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