OPERAÇÃO CARRO PIPA

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Foi muito oportuna a exposição feita por militares do Exército Brasileiro a respeito da Operação Pipa na Plenarinho da Câmara Municipal, nesta semana, para vereadores, técnicos do Conselho Municipal de Defesa Civil, e outras entidades. Muita esclarecedora, dando uma clara e ampla visão do desenvolvimento da Operação que atende populações do semiárido brasileiro.

Chama atenção, no entanto, um fato bastante significativo, considerando o objetivo da Operação: levar água à população sedenta no que o governo destina a verba anual de um bilhão e quatrocentos milhões de reais. Sem qualquer questionamento, trata-se de uma operação para Mitigar e Prolongar um Sofrimento que pode ser um prenúncio de continuidade, dependendo do regime das chuvas, pois dos recursos hídricos locais antes existentes não há mais nem sinal.

Reconhece o governo, sem o menor pudor, que o problema hídrico no Brasil se agrava, principalmente em áreas do semi-árido e, mais recentemente, do cerrado, que está sendo devorado para dar ganhos ao agronegócio. O governo sabe e acompanha a destruição – quando não dá amparo às ações deletérias – como se viu, pouco tempo atrás com a situação do rio Paracatu, antes navegável, hoje de passagem, margem a margem, a pé. Nas suas margens, em longa extensão, os pivôs irrigando plantações de soja e pastagens, de horizonte a horizonte, sem nenhuma árvore. Sem o cerrado para reter as águas pluviais, reabastecendo-se o lençol freático, compromete-se a vazão do rio, mas como todo castigo é pouco, ainda retira-se a pouca água que resta para fabricar dinheiro. Mais recente veio o desastre com o mineroduto da Anglo American em Santo Antônio do Gama que deixou mais de 4 mil pessoas sem água, além de contaminar um rio de águas puras. Ora, em três minerodutos de Minas Gerias são consumidos 3.711 milhões de litros de água dia, o que seria suficiente para abastecer uma cidade com uma população de 500 mil habitantes – mais que Montes Claros que pena com a falta de água.

Lá no final, para exterior vai o minério – em Minas ficam os buracos, o que tanto lamentou Drummond de Andrade; no mar, a água que foi pura dos rio de Minas, que fica com a escassez. E quem lucra com tudo isso? Quem perde? Perde o povo, que contabilidade dos governantes só vale como voto – veja o caso do buriti, agora ameaçado por uma lei estadual. A bela palmeira ficará distante do sertanejo e será, em pouco tempo, pálida lembrança registrada nos romances de Afonso Arinos – (Pelo Sertão) e Guimarães Rosa (Grande Sertão-Veredas).

Coisas do Brasil que vive à deriva, sem rumo, sem porto a chegar, com seus timoneiros se digladiando cada qual pensando e defendendo seus interesses. Um País em que a sua maior corte, talvez o último porto seguro das esperanças do povo, titubeia, ensaia passos à frente, passos atrás.

E hoje e amanhã, tome carro pipa.

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