PAPEL DO NEGRO NA HISTÓRIA DO BRASIL

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A Escola Estadual Everardo Gonçalves Botelho, em parceria com a Unimontes e PIBID, realizou uma oficina sobre o papel do negro na história do Brasil: escravidão, resistência e contribuições.
O professor Harilson Ferreira de Souza discorreu sobre a importância da oficina, como a seguir reproduz o Veredas em duas partes:

I PARTE

A oficina representa uma rica experiência de aprendizagem e protagonismo juvenil. Esta, além destes benefícios, agregou o exercício da cidadania ao refletirmos quem somos e como vivemos na periferia do capitalismo. Povo miscigenado que somos, por vezes, desconhecemos as origens e desafios diários enfrentados pelos afrodescendentes no Brasil. Neste sentido, a oficina realizada com os alunos das séries finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) da Escola Estadual Everardo Gonçalves Botelho conferiu profundidade na analise sobre o tema. O professor Harilson Ferreira de Souza (História) nos trouxe um pouco dessa experiência coordenada por ele na referida escola.
A oficina: O Papel do Negro na História do Brasil: escravidão, resistência e contribuições, foi dividida em três etapas. Na primeira etapa, apresentamos a escravidão dos africanos no Brasil, suas formas de resistências e suas contribuições a todas as turmas do 6º ao 9º ano da EEEGB. Tratou-se de uma metodologia para socializar as principais informações históricas inerentes ao tema. A educação, como sabemos, é a porta de entrada dos seres humanos no mundo. No entanto, a entrada de novos seres humanos no mundo prescinde da leitura. Desse modo, no universo educacional, a leitura é parte expressiva do tamanho e forma como vemos e entendemos o mundo. Razão pela qual, a leitura converteu-se no foco principal na segunda etapa de nossa oficina.
Na segunda etapa realizamos rodas de leitura com todas as turmas dos 6º ao 9º ano do turno matutino. O aporte metodológico deu-se em torno de Paulo Freire (1987), segundo o qual, a leitura de mundo precede a leitura da palavra. Mas a leitura crítica através desta, amplia o entendimento daquele, aumentando as nossas possibilidades de transformá-lo.
Durante as rodas de conversas as experiências de vida dos discentes e educadores fundiram-se para produzir o novo, ao debatermos o texto a História da Escravidão no Brasil e as Lutas Por Direitos Atuais. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a cada 3 assassinatos no Brasil, 2 são de jovens negros, com idades entre 15 e 24 anos, considerando ainda que a discriminação e o preconceito racial são fortes componentes desta realidade; apesar de a população negra representar cerca de dois terços de todos os cidadãos economicamente ativos no Brasil, os negros permanecem relegados a serviços de base, com salários menores. Na média do país, cerca de 60% dos desempregados são negros; a população negra corresponde à maioria (78,9%) da parcela dos 10% de indivíduos com maiores chances de serem vítimas de assassinatos; mulheres negras são as mais vitimadas nos casos de violência doméstica (58,68%), violência obstétrica (65,4%) e mortalidade materna (53,6%); apenas 10% dos livros publicados de 1965 a 2014 foram escritos por autores negros. Além disso, 60% dos protagonistas são homens e 80% são brancos.
Refletir sobre os números desta realidade demonstrada acima reforçou diante dos discentes, o papel preponderante representado pela educação no enfrentamento destas situações de exclusão ou ressignificação da escravidão. Por outro lado, os depoimentos dos partícipes, explicitaram o anacronismo de nossa democracia, que reafirma na Constituição Federal promulgada em 1988, o principio da igualdade e o direito a diferença, mas não legitima nenhuma forma de exclusão.

I PARTE

Moacy Gadotti em BONITEZA DE UM SONHO Ensinar-e-aprender com sentido (2003) ao refletir a respeito da questão: Por que somos professores? Reafirma ser a educação a essência do projeto humano em tornar pessoas e o mundo melhores. Para ilustrar, o autor cita um trecho de uma carta escrita por um prisioneiro do campo de concentração em Auschwitz, na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial (1936 a 1945): “professores ajudem seus alunos a tornarem-se humanos, simplesmente humanos”. […] “ler, escrever e aritmética só são importantes para fazer nossas crianças mais humanas” (GADOTTI, 2003, p. 13). Neste sentido a EEEGB, compromissada em edificar uma escola sem preconceitos e que respeita as diferenças, realizou a terceira etapa da oficina, abordando o tema: Preconceito Racial.


Na terceira etapa da oficina, o Gestor da EEEGB, Guilherme Barbosa Pereira, abriu os trabalhos enaltecendo a importância do compromisso assumido pela Escola em consolidar a cada instante, uma “Cultura da Paz”, baseada na tolerância, no respeito aos direitos humanos e, pela noção de cidadania (direitos e deveres), compartilhada por todos que nela possam estudar ou trabalhar.
Na sequência, a Supervisora Enildes Vieira Mendes assumiu a condução dos trabalhos reforçando pedagogicamente a relevância em se debater o tema na Escola. Este aspecto seria retomado durante a fala do professor e Supervisor do PIBID na EEEGB, Harilson Ferreira de Souza e o Doutor em História e Coordenador do PIBID UNIMONTES, Roberto Mendes Ramos Pereira, cuja fala destacou o empoderamento vivenciado por uma acadêmica negra e mestranda da UNIMONTES, Aline. Originária do Bairro Sagrada Família, vem ganhando notoriedade através da educação, como pesquisadora e mulher ativa.
No entanto, um momento de destaque do evento foi a parte em que os alunos colocaram a mão na massa. Sob a supervisão dos professores e acadêmicos da UNIMONTES (os Pibidianos Rodrigo, Alessandra, Mirelle, Clarice, Cláudia e Robson), ao retornarem para as salas de aula, as turmas do 6º anos 1 e 2, foram trabalhar com pinturas e elaboração de desenhos abordando o preconceito racial. Os alunos dos 7º anos 1 e 2, trabalharam na confecção de cartazes com imagens recortadas de revistas, voltadas ao tema. Os alunos dos 8º anos 1 e 2, exploraram o tema através de paródias e os alunos do 9º ano montaram uma peça teatral discutindo o preconceito racial. A peça destacou a discriminação racial verificada em análise de currículos em empresas que eliminam negros em razão de sua cor de pele. Por fim, os alunos retornaram ao auditório para apresentar o resultado dos trabalhos realizados.
Ao retornarmos para as salas de aula, solicitamos junto aos alunos uma avaliação por escrito da oficina realizada pelos Pibidianos-UNIMONTES e EEEGB, dentre as quais, citaremos a avaliação de duas alunas do 8º ano.
Segundo Aíla Lorrane (8º ano 1): “Eu aprendi que mesmo sendo descendente dos negros, nós discriminamos nossa raça, somos um só povo. O Brasil é um país cheio de culturas, etnias, mas é um país preconceituoso. Esse projeto do Pibid vai ajudar a nossa escola a nos aceitar como nós somos e de onde viemos”.
De acordo com Camile Vitória (8º ano 2): “Eu aprendi que nenhuma cor ou raça é superior a outra. Todos nós somos iguais, nunca devemos discriminar ou praticar bullying com alguém, apenas por sua cor ser diferente. […] Gostei muito da oficina do Pibid, acho muito importante que a escola aborde esse tema para conversarmos”.
Acredito com convicção, que todos na Escola Estadual Everardo Gonçalves Botelho, tem se esforçado bastante para desempenharem ações qualitativas em seus respectivos trabalhos. Ao concluirmos esta oficina, pensamos que o protagonismo juvenil é cada vez mais expressivo nas diversas práticas pedagógicas desenvolvidas pelos educadores da EEEGB. Agradecemos aos educandos pela brilhante participação nesta oficina e, sobretudo, aos “Pibidianos” pelo entusiasmo e competência que vêm oferecendo a nossa Escola. Uma sociedade mais justa, igualitária e tolerante é um desafio diário de todos nós. É isto que tentamos fazer.

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