PEQUENA CRÔNICA

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COLOCANDO FOGO NO CIRCO

Fora a insistência dramática de alguns setores inconformados com a prisão do ex-presidente Lula, o assunto vem perdendo a força. Esgotou-se o elã dos defensores diante da fraca reação pública, muita aquém do que se esperava. Verdade é que o povo já está cansado desse enfrentamento, buscando, com veemente insistência reverter a situação. E se isso ocorrer pode ser um desastre para o país, pois a medida teria que se estender a todos condenados. Daí, a operação Lava Jato e outras seria perda de tempo e de mais prejuízos financeiros.

Aos fanáticos que não resistem à realidade, vale lembrar, recorrendo a umensinamento de Pietro Ulbaldi: tem gente que é semelhante a um turbilhão, com seu ponto de origem (nascimento) e ponto final (morte), quando sua energia se esgota. O ex-presidente Lula foi, sem dúvida, um turbilhão cuja energia se esgotou, exaurindo-se numa tentativa utópica de se transformar em uma ideia.

No caso, indo aos escritos de Raymond Aron falando sobre “O Ópio dos Intelectuais”, veremos que “os bolcheviques sempre tiveram duas fórmulas, uma para exigir o monolitismo, outra para  incentivar o conflito de ideias  e tendências que mantém o vigor do partido (Lênin usava à vontade essa segunda fórmula, quando corria o risco de ficar em minoria.”. Aron vai adiante na análise de uma máxima: “quem não está comigo está contra mim/toda oposição é traição” – antigos chavões de seitas revolucionárias ou terroristas que se querem atuais por força de se manter no poder.

E preleciona, ainda de Aron, uma lição que se aplica aos nossos tempos: “Um partido que sempre tem razão precisa, permanentemente, definir a linha justa entre o sectarismo e o oportunismo”.

Alguns setores do PT, entre eles muitos dos intelectuais fundadores, já entenderam e tecem críticas à resistência do partido em entender a realidade.

Nessa linha de análise o posicionamento da senadora Gleisi Hoffmann (e de outros oportunistas de momento) é patético e chega a preocupar em seus desdobramentos: pregar o caos, o pior para o país ao invés de buscar a reconstrução da nação arrasada pelos anos de desenfreada corrupção. Foi longe de mais, deixando sua verborragia em nosso território para se ariscar no campo internacional, no mundo árabe onde setores radicais levam a intranquilidade a extremos do mundo. Quer tanto a senadora, por causa de sua ideia, uma interferência internacional (e radical) em nosso país?

A tudo isso, infelizmente – e de modo preocupante – é acompanhar o engajamento de certos setores da mídia em tais propósitos, entre eles artistas e jornalistas globais, que têm ampla exposição no país.

Pois é, semeiem. Semeiem o ódio, a cizânia, mas lembrando (se lembrar, pois é preferível ignorar) que quem semeia vento colhe tempestade.

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