PEQUENA HISTÓRIA DA ESCOLA ESTADUAL COELHO NETO

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Uma bonita festa cívica marcou a comemoração dos 85 anos da EE Coelho Neto realizada na terça-feira 22. Foi instalado um palco na praça Centenário, onde se desenrolou a programação depois do desfile alegórico/histórico pela avenida Presidente Juscelino, composto de alunos, professores, servidores e ex-diretores.
Uma merecida comemoração pelo que representa essa instituição educacional na vida de São Francisco.
A história do Coelho Neto começa com o coronel Oscar Caetano Gomes, político que governou São Francisco no período da Ditadura de Vargas, de 1930 a 1945. Ele tinha uma visão avançada para aquele tempo, bom administrador, empreendedor, mas, sobretudo, voltado para a educação.
Na Era Vargas, o ensino em São Francisco era ministrado em salas de aulas particulares, como narrou em entrevista concedida ao jornal O BARRANQUEIRO uma das primeiras professoras daquela escola: Dona Maria Eunícia Gomes. Formada pela Escola Normal de Diamantina, voltando a São Francisco, ela foi ser professora na Escola Rural do Quebra (hoje bairro do Quebra), estando no governo municipal seu tio coronel Oscar Caetano Gomes, que “tinha muito ideal e queria melhorar a educação no município”, disse ela. Ele avançou na ideia, criando a primeira escola de São Francisco – ou seja, reuniu as cinco escolas isoladas existentes: das mestras Graziela, Eralina, Hercília, Marcionília (passou para Rodolfina) e Maria Eunícia, cada qual num salão separado, instalando as cinco classes no casarão hoje espólio da família Cassi, com as professoras Alice Mendonça, 4º ano, esposa do Cel. Oscar; Hercília, 3º ano; Eralina, 2º ano; Graziela, 1º ano-A, e Maria Eunícia, 1ºano – B. A diretora era a professora do 4º ano, dona Alice. Isto por volta de 1932. Ali funcionou por dois anos, sendo instalada, depois, na casa que hoje é da família Braz, na avenida Montes Claros.
O coronel Oscar não ficou por aí; queria um prédio próprio e adequado para o funcionamento da Escola e conseguiu do governo do Estado a construção e criação do primeiro Grupo Escolar de São Francisco.
Dona Eunícia contou, com imenso carinho, como foi a construção do prédio. Vieram pedreiros de fora, entre eles o mestre Garibaldi. O povo ficava encantado, pois nunca vira uma construção daquele porte, tão grande e bonita. A inauguração foi uma festa inolvidável, com a presença do interventor do Estado, Benedito Valadares, o secretário de Educação Noraldino Lima, muitas caravanas de prefeitos – Januária, São Romão, Manga – e muitas autoridades.
O grupo começou funcionando com cinco classes. A primeira diretora foi dona Alice Mendonça e as primeiras professoras, Graziela Pereira, Noemi Morais Pinto, Lieta Gonçalves Mendonça, Ismaelita Gonçalves Mendonça e Maria Eunícia que, depois, passou a exercer o cargo de auxiliar de gabinete, e as estagiárias Carmênia Castro de Oliveira e Ilda Pinto. As serviçais: dona Maricas Pinto e Stela Matutino de Carvalho.
Dona Eunícia disse que, por ocasião da inauguração, o prefeito de Manga, coronel Bem-Bem, trouxe duas professoras para lecionar na escola, mas que apenas uma permaneceu na cidade. Era como se fazia naqueles tempos – professor vivia por um fio. Lembrou também de alguns alunos que passaram pelo grupo: Dr. Oscar Caetano Júnior, Dr. Petrônio Braz, professoras Terezinha Ribas, Marlene Pinto Cunha e Antônia Coutinho; Nadir Gomes da Mata, Inácio Barros, Dr. Wilson Ferreira.
O início da construção do prédio se deu em 1933, autorizado pelo presidente de Minas Gerais, Olegário Maciel. O grupo escolar foi criado pelo Decreto nº 11.342, de 21 de maio de 1934, sendo instalado no dia 30 de junho de 1934. A denominação Grupo Escolar Coelho Neto se deu através do Decreto nº 2.330, de 13 de novembro de 1949. Antes, recebera os nomes de São Francisco e Oscar Caetano Gomes.

NA ATUALIDADE

A EE Coelho Neto funciona, atualmente, com 15 turmas do ensino fundamental – 1º ao 9º ano; 5 turmas da Educação Integral e Integrada e 1 turma de Atendimento Educacional Especializado.
Lá se vão os anos, 85 passados, e nenhum prédio escolar tem a imponência arquitetônica do Coelho Neto. Prédios modernos foram construídos, com outra estrutura, mas nenhum guarda o charme, a beleza arquitetônica e a história dessa instituição.
Assim, muito motivo houve para a comemoração. E mais: que se comemorem, sempre, tais efemérides, ligando sentimental e civicamente os alunos à Casa que lhe proporciona o saber. Vê-se, hoje, com que orgulho ex-alunos falam do Coelho Neto.

ROL DAS DIRETORAS

Professoras Alice Gonçalves de Mendonça, Grasiela Pereira, Maria Eunícia Gomes, Alzira Batista Coutinho, Marlene Pinto Cunha, Maria de Lourdes Gomes da Mata, Nívea Gandra Braz, Angelina Célia Tavares Pinto, Rita Maria Nunes Corrêa, Antônia Coutinho Lima, Maria Urânia Nunes Corrêa, Nilda Generoso Ízaga, Natália Geralda Viana Canabrava, Alberto dos Reis Assunção, Dinéa Caetano Nunes Dourado, Amadeu Raimundo do Nascimento, Maria Helena Braz de Carvalho e Gilnéia Cardoso Ribeiro Ruas, atual diretora, desde janeiro de 2016.

MENSAGEM


Diretora Gilnéia

Concluindo a programação, muito bonita, a diretora Gilnéia dirigiu algumas palavras ao público, ressaltando: “De todos os ingredientes da vida, a gratidão é o mais doce. Ela vai além de muito obrigado, ultrapassa gentilezas e é superior a qualquer interesse. É nesse sentido, que agradeço primeiramente a Deus por ter conduzido toda essa jornada e por este momento sublime, que é contar com a presença de cada um de vocês nesse evento.”
Saudou as autoridades e dedicou palavras especiais a pessoas que ajudaram a construir a história da Escola: “Sabido que a educação não se consolida sem a mão daqueles que auxiliam uma transformação do mundo; pela representatividade de Tia Totinha e do professor José Pereira, cumprimento aos nobres professores que fazem parte da história dessa Instituição”.
E lembrou, com carinho, dos alunos: “Não se modifica uma realidade sem os agentes de transformação; portanto, cumprimento a todos os alunos que fizeram e fazem o possível à concretização desse sonho. É a razão da formação social de cada um de vocês que os nossos afazeres se justificam”.
E uma palavra dedicada aos pais, família e comunidade, seguimento importante ao bom funcionamento de uma escola: “Esse encontro de transformação não seria possível sem a intermediação dos estimados pais, demais familiares e comunidade escolar, a quem direciono, também, os meus cumprimentos”.

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