PONTO DE REFLEXÃO

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Em alguns setores de nossa comunidade pessoas há que são adeptas do otimismo e não aceitam qualquer manifestação em contrário, ou seja, o derrotismo. Assim, esbravejam quando alguém fala na “São Francisco já teve”, mote criado por um são-franciscano da gema – João Botelho Neto. Verdade. O otimismo faz bem ao espírito, à saúde. Não é nada saudável ser adepto do filósofo do pessimismo, Schopenhauer, que põe o sujeito para baixo. Mas…
Então, se São Francisco não é a cidade do já teve, é preciso rever fatos que levam a esta assertiva. Ouvindo os mais antigos ou lendo algumas crônicas passadas, impressiona-se como a sociedade atual perdeu valores sociais, artísticos e entretenimento. Não é saudosismo, mas com que satisfação, alegria e saudades falam da Associação dos Amigos de São Francisco com seus famosos bailes reunindo a sociedade são-franciscana, e ainda com cinema, teatro, biblioteca e vôlei. A AASF, como éter, soverteu-se; a União Operária; Banda de Música de Manoel Clemente, Orquestra Feminina Santa Cecília; Reino Lapínico de Elísio Orbilon; as Pastorinhas; Retretas no Coreto, enquanto moças e rapazes desfilavam garbosamente no footing; seresta no ajoujo do velho Reginaldo em noites de lua cheia; Campo de Sementes; Campo de Irrigação; Itasa; bailes da Primavera no Automóvel Clube (ponto de encontro da sociedade são-franciscana e de realizações de grandes festas, hoje em ruínas); festa do Divino Espírito Santo, com procissão do Imperador pelas ruas da cidade; futebol – São Francisco, Vitória, Dínamo, Caio Martins, Estrela, Lajedo, Barranqueiro, Flamengo (com estádio gramado, murado e com arquibancada… cadê o futebol?); torneio de futebol de salão e vôlei na Praça de Esportes; Escolas de Samba; Cine Canoas; Saraus da Cultura e Festa das Raízes Culturais São-Franciscanas, em agosto, da Ong Preservar, sem apoio, restam na lembrança; Lions Club e Rotary Club, instituições internacionais que brilharam na cidade; festas do aniversário da cidade: procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, corrida de canoas, homenagem ao são-franciscano ausente e desfiles alegóricos das escolas; Escola Caio Martins – como centro de treinamento de jovens líderes rurais são águas passadas.
Na produção São Francisco foi grande exportador de mamona, algodão, feijão, rapadura, farinha de mandioca, peixes (transportados em aviões, semanalmente, para Belo Horizonte), madeira e, infelizmente, carvão. E hoje?
Hoje São Francisco está no “não tem” e pior, não se vislumbram projetos visando o desenvolvimento do município. Fica-se – entra ano e sai ano – no desperdício de dinheiro público resultante das famigeradas emendas de deputados, imediatistas, de olho no voto: quase duas dezenas de agroindústrias apodrecem sem utilização – dinheiro jogado fora. Assim, não tem como não ser pessimista.

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