QUANTOS ANOS TENHO?

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Perguntaram certa vez a Galileo Galilei, 1564/1642, sábio italiano, considerado o pai da ciência moderna, quantos anos ele tinha. Apesar de sua provecta idade, barba branquinha, ele disse que tinha oito, talvez dez anos. Logo em seguida, ele explicou: “Tenho, na verdade, apenas os anos que me restam de vida, porque aqueles anos que vivi, não os tenho mais”. Devemos, portanto, aproveitar o tempo que nos resta da melhor maneira possível. E bom lembrar que Galileo propôs o Heliocentrismo, o sol como o centro do universo, em oposição ao Geocentrismo, a terra como centro do universo, apoiado pela igreja católica, que o condenou, por meio da inquisição, à fogueira, mas, espertíssimo, Galileo abjurou o Heliocentrismo e morreu de velho. Naqueles tempos da idade das trevas, ainda longe do Iluminismo, quem fosse contra a santa madre igreja sifu. Inclusive, o Papa João Paulo II pediu perdão pelos exageros da Inquisição, que torturou, matou, forçou conversões, haja vista os cristãos novos!
Tenho 75 anos, portanto, já vivi mais de três quartos da minha vida, pois dificilmente alguém chega aos cem anos. Neste cenário, devo ter mais uns dez, quinze anos de vida, se tanto, se tudo correr muito bem, pois já tenho algumas ziquiziras e, só de comprimido, tomo cinco por dia. Para pressão, para não deixar o coração disparar, apesar de não estar apaixonado atualmente, pra repor cálcio, de vitamina D, pra tireoide, pra gota, contra a velhice e a feiura, que não estão funcionando, mas para aquilo que minhas leitoras estão pensando ainda não – pas encore… Tudo recomendado pelo meu geriatra! Grande figura!
Então eu procuro aproveitar a vida comme il faut, pois só temos essa e ela é curta, infelizmente. E essa história de outra vida fica pra quem quiser. I am out – tô fora!
Em janeiro, passo uns dias na praia. Fotografo, aprecio as mulheres, que, nessa época, estão bem mais à vontade. Pratico surf, surf leve, pois andei levando uns tombos, dando horrorosas barrigadas n’água. Ando de caiaque. Nado uns “500 metros” só para pôr a carcaça em forma. Pratico escaladas em paredes. Dou uma volta de windsurf. No carnaval, já me vesti de hippie, de árabe, de general da banda…
Dou umas boas esticadas com meu conversível vermelho, cheveux au vent, cabelos ao vento, os poucos que ainda me restam. Faço, de má vontade, hidroginástica na água por recomendação de dois sobrinhos médicos. Uns enjoados!
Durante o ano, danço um montão de ritmos, mas tenho especial predileção pelo samba de gafieira e pelo samba no pé, apesar de estar longe da performance de Carlinhos de Jesus. Viajo, estive recentemente no Canadá, em Montreal, praticando francês, minha segunda língua. Frequento os points da cidade sempre que posso. Cozinho, uma das minhas paixões. Trabalho horrores com revisão de textos, traduções. Escrevo, tenho coluna em três jornais de nosso estado e em dois portais eletrônicos. Cruzes! Já ia me esquecendo, “namoro bastante”!
Deixo pra quem quiser a tristeza, a malquerença, a depressão e outras mazelas de que ouvi falar, mas nem quero nem saber que existem. Eu quero é ser feliz. Amar e ser amado. Aproveitar os anos de vida que ainda tenho pela frente! Aleluia!

jtbarbosa500@yahoo.com.br

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