QUE REI SOU EU?

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Em tempos de coronavírus o país vira de pernas para o ar. Se as fronteiras entre o executivo, legislativo e judiciário não estão nítidas no nosso país, pois um poder se sobrepõe ao outro, agora, com a pandemia, mais uma indefinição se apresenta: nas esferas federal, estadual e municipal.
No vácuo deixado por Bolsonaro governadores e prefeitos “meteram a colher”, pois ele não se prontificou para capitanear a chegada do coronavírus, por não acreditar na sua letalidade nem na sua disseminação rápida e corrosiva, porque era uma “gripezinha qualquer”. Ele deixou a responsabilidade exclusiva para o Ministro da Saúde (Luiz Henrique Mandetta), até então considerado ministro do Segundo Escalão, já que os do Primeiro Escalão eram Sérgio Mouro da Segurança e Paulo Guedes da Economia.
Mandetta, médico comedido, cuidadoso, metódico, técnico competente, “abraçou a causa”, saiu “melhor que a encomenda” e usando uma linguagem precisa e clara esclarece a população todos os dias em cadeia nacional. Ele e sua equipe apresenta gráficos, a disseminação do vírus no mundo e no Brasil e a atuação do seu Ministério quanto a distribuição dos insumos e protocolos a serem observados especialmente os da OMS (Organização Mundial de Saúde). Gerou empatia na população e ciúmes nos políticos.
No entanto, muito além dos aspectos médicos, havia procedimentos comportamentais econômicos e de segurança que ultrapassavam a sua pasta. Então, os governadores e prefeitos, atentos as informações da OMS começaram a legislar para salvar a população do seu estado ou município. Temiam que a saúde entrasse em colapso diante de possíveis mortes, falta de material básico, leitos e respiradouros. Seguindo outros países do mundo decretaram quarentena.
Muitas cidades pararam, suspenderam aulas em escolas públicas e privadas, fecharam repartições e o comércio funciona apenas com o essencial. O povo desenfreia em busca de álcool, luvas, máscaras, papel toalha, detergente, sabão, tudo o mais que possa impedir que o vírus prolifere. E o inimaginável acontece, somem carros e pessoas na rua, parecem cidades fantasmas com pessoas trancadas em casa, comportamento que repete em várias cidades do mundo.
Até então, o presidente Bolsonaro estava ocupado demais para notar que as cidades do seu país iriam adotar o mesmo sistema de outras do mundo. Quando os governadores mais “expertos” como de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Pará, Goiás, o bloco dos estados do Nordeste, dentre outros, adotaram procedimentos específicos para cada necessidade, apoiados na medida provisória publicada em fevereiro, por ele, dando a governadores e prefeitos competência para adotarem ações atinentes à saúde, descobriu tarde a confusão que havia criado.
Muitos governadores politizaram o momento e estão “cuidando” muito bem dos seus eleitores. O de São Paulo, todos os dias, pela manhã, apresenta na mídia as suas “ações”, dá entrevistas junto com a sua equipe de saúde. Essa equipe tem seguido as recomendações da OMS e com muito profissionalismo, montou até hospital de campanha em campo de futebol. Empresas estão fazendo doações de álcool, luvas, testes rápidos do coronavírus…
Meio ao medo e comoção da população, aparece Bolsonaro mandando a população sair de casa e ir trabalhar porque a economia é mais importante. Ele diz que devemos fazer quarentena “vertical”, só idosos e grupos de risco. Disse mais, que Donald Trump iria fazer o mesmo nos Estados Unidos. Trump não fez, está preocupado com sua reeleição. Bolsonaro não consultou aliados, nem governadores, muito menos o Ministro da Saúde para tomar decisão tão temerária, que vai contra todos os procedimentos adotados pelo mundo.
Diz Rodrigo Maia, que o presidente coloca vidas em risco quando prioriza a economia, por pressão dos investidores, porque a bolsa de valores que estava caindo muitos pontos. Bolsonaro acha que o número de mortos é pequeno para causar tanta “confusão” no mundo. Ficou só, está isolado, não foi capaz de sensibilizar, sentir empatia pelo povo que o acolheu e agora tem medo do “desconhecido” vírus.
Ele agiu de forma precipitada, inconsequente e, por olhar mais para fora (Estados Unidos) do que para dentro (Brasil), ele não notou que a sua imagem está esmaecendo.
Espelho
Espelho meu
Diga que a imagem de Trump sou eu

Adalgisa Botelho de Mendonça

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