RIO SÃO FRANCISCO

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4 de outubro é a data do descobrimento do rio São Francisco pelo navegador Américo Vespúcio, da bandeira portuguesa. Tantos anos decorridos, uma trajetória e tanto e uma história relegada. O engenheiro baiano Geraldo Rocha fez um interessante libelo sobre o rio com o título “São Francisco, fator precípuo da existência do Brasil”, demonstrando que não fora ele o Brasil não teria o mapa geográfico atual e a mesma etnia, o que não aconteceu com a possessão espanhola, fragmentada em vários países. A ligação do Sul ao Norte, como caminho civilizatório, proporcionando o povoamento do vale, do Nordeste às Minas. Tempo passando e começaram as preocupações. Vicente Licínio escreveu que o São Francisco é um rio sem história – e isto está evidenciado nos dias atuais. Afora os breve relatos dos viajantes estrangeiros Richard Burton, Saint´Hilare, Gardner e engenheiro Halfeld e o brasileiro Teodoro Sampaio, muito pouco há de registros sobre a história do rio, senão publicações regionais.
Conquanto sua importância – para o Brasil e não apenas para os barranqueiros – o São Francisco não tem merecido a devida atenção de governantes – em todos os níveis. Foi abandonado à própria sorte e, com isso, a cada ano ele se mostra mais debilitado, rumo à extinção. Não é exagero se levar em conta o que está ocorrendo com dezenas de seus afluentes, todos eles com imensa deficiência hídrica. E não fica nisso, permite-se todo tipo de comprometimento poluidor de suas águas – mineração, esgoto de cidades, desmatamento do cerrado. Atualmente, na data do aniversário do rio já é possível transpor grande trecho de seu leito com água nos joelhos.
O badalado e insano projeto de transposição de suas águas para regiões afastadas do Nordeste foi condenado no nascedouro por não ser a prioridade, ou seja, um doente foi chamado para atender outros doentes. Preciso era e é, sempre alertado, dedicar-se à recuperação hídrica do rio, recuperar seus afluentes, muitos deles seriamente comprometidos, como o Paracatu. Barragens foram construídas sem, contudo, servir à regularização do nível do rio, mas para causar-lhe mais danos, posto que destinada à mineração. Não, foi preciso desviar recursos para a transposição que pode se transformar em redundante fracasso.
Às vésperas do aniversário do rio foram dadas a conhecer duas notícias a respeito de projetos a ele relacionados. Uma o requerimento do deputado federal Paulo Guedes – majoritário em São Francisco – para a realização de audiência pública para debater a viabilidade da hidrovia do rio São Francisco. Outra do Rotary Clube defendendo a revitalização do rio São Francisco.
Merecem atenção dos barranqueiros as duas propostas. Merecem, mas pelo que se assiste através dos anos da vida do Velho Chico, nada será feito.

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