São Francisco se apaga no tempo

0

Mais uma vez chega 5 de novembro, o aniversário da cidade, e não há o que comemorar. Professores insatisfeitos, pecuarista queixando da alta do milho, apesar do bom preço da arroba do boi. A região está carente de animais que foram vendidos, alguns anos antes, devido a seca e falta de capim, não houve tempo para a reposição de animais. O Supermercado BH chegou aqui e ameaça o comércio local com a sua potência. A saúde está precária com a falta de verbas. Estradas, que estradas? Existem estradas? Os carros estão arrebentando nos buracos. Até as festas diminuíram, a cidade está para as moscas.
É só queixa e nós não nos preparamos para a crise. O país, o mundo, tudo está em crise. Conforme o STF (Superior Tribunal Federal) quer, com suas decisões controvertidas, e até mesmo viciadas, passaremos por outra convulsão social. O povo tem um limite, a Bolívia sabe, o Chile sabe, o Equador sabe, outros países da América sabem, a Ásia como um todo sabe, a África até a Europa se enrolou no bloco com o Reino Unido.
Mas aqui no Brasil tudo é diferente, principalmente os políticos que acham que não precisam representar o povo. O povo é apenas massa de manobra, pacífico, anestesiado, depois das eleições devem ser ignorados, o que interessa é o que o cargo permite tirar em benefício próprio. Muitos políticos daqui da cidade aprenderam a lição com os do Estado e os do Governo Federal. É mais dinheiro fétido passando pelos esgotos do que o empregado sob a luz do sol.
E por detrás do orgulho de sermos um povo “pacífico” fazemos o papel de bobo. Cadê a nossa indignação, ou melhor, a nossa ação? Devemos analisar, refletir, indivíduos vazios, criam mundos vazios. Resta-nos o rio, ainda que abatido, cortando a nossa cidade, devemos aproveitar as suas águas e irrigar as nossas esperanças, enquanto ainda as temos. E lavarmos, nele, a lama que deixamos derramar nas nossas costas e não permitir mais que nos imponham tanto lixo.

Campartilhe.

Comentários desativados.