SÓ CHUVA NÃO RESOLVE

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2020 tem sido um ano muito bom para os são-franciscanos, abençoado por boas chuvas.

Perde-se na memória um período tão profícuo com excelentes precipitações pluviométricas. De janeiro ao final deste mês o solo são-franciscano tem sido banhado com frequência e, geralmente com chuvas mansas, daquelas de encharcar o chão, diferente das violentas que delas nada fica no solo. Então, além dos tanques e barraginhas transbordando, têm os córregos que voltam a correr; as grandes lagoas – Grande, Bom Jardim, Renascença, Mocós, entre outras, estão com água farta. Melhor ainda, para a maioria dos produtores rurais de São Francisco, que dependem muito dos poços tubulares, com a reposição do lençol freático. E, ainda, a recuperação de pastagens e plantio de novas áreas. Bom para são Francisco que tem sua economia baseada na pecuária. Haverá, pois, uma trégua no sofrimento causado pelas secas tão constantes no município.

Há de se festejar, sem dúvida. Contudo, é uma ocorrência atípica nos últimos anos. O maior tormento aqui no Norte, especialmente em São Francisco, é a estiagem, o quase nada de chuva. Já vai longe a regularidade de 900 mm por ano.

Há, paralelamente a este fator, outro fenômeno que incomoda e que, certamente, trará grandes problemas para o município, em especial para os produtores rurais: a redução gradual De seus recursos hídricos. O fato já foi apontado pela secretaria municipal de Meio Ambiente, Codema, Comitê de Bacia Hidrográfica SF9 – Afluentes Mineiros do Médio São Francisco, numa abrangência regional; e Emater. As conclusões geraram relatórios encaminhados ao Ministério Público, IGAM, Codevasf, secretaria de Estado do Meio Ambiente e até para o Senado, dando conta da extinção de veredas e importantes mananciais; do excessivo esgotamento do lençol freático pela abertura sem controle de poços tubulares, da falta de uma política no sentido de recuperar e preservar recursos hídricos. O alerta vem desde a realização do importante, e primeiro, Seminário de Meio Ambiente realizado em São Francisco com um número expressivo de autoridades ambientais do país. O resultado seria quase inócuo se ele não servisse de inspiração para criar as Promotorias de Meio Ambiente no Estado de Minas – essas promotorias funcionaram muito bem por certo tempo, isso de acordo com cada titular da pasta e, agora, já não se fala mais nelas.

O tempo passa e o sistema hídrico do município recrudesce e pouca gente se dá conta disso. Veredas secas, “cerrado Pai das águas”, tal qual um deserto e cursos d´água importantes como Lajes, Acari, Pardo à beira da morte. Outros tantos, menores, extintos ou intermitentes.

Nem sempre haverá chuva com abundância para garantir a tranquilidade do homem do campo. Nem sempre. Então, são necessárias políticas públicas para resolver o problema. Mas, pelo amor de Deus, nada de mais canos e caixas d´águas. Antes é preciso ter água.

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