SOMOS VIGIADOS O TEMPO TODO

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Adalgisa Botelho de Mendonça

George Orwell (no livro 1984) já havia usado como um dos slogans:
“O Grande Irmão está de olho em você”

Hoje sabemos que estamos realmente sendo monitorados pelo Grande Irmão, seja ele governo ou redes sociais. Você sabe o que é algoritmo? O algoritmo filtra dados do computador, do smartphone e encontra o que possa servir ao usuário, mas sabemos que interessa mais a “empresa coletora” seja ela redes sociais ou governo.
Tudo que postamos na internet deveria ser cauteloso e, se possível, benéfico de alguma forma. Nossa conexão e tecnologia vieram muito rápido, sem tempo de criar regras, de nos ensinar a pensar e usar em nosso favor. Usamos porque queremos — essa é a verdade. E queremos porque nos adaptamos, acostumamos e (infelizmente) viciamos. Já parou hoje para pensar num mundo sem internet? O caos que seria?
O Facebook passou a controlar a exibição das postagens dos e aos usuários a partir do fim dos anos 2000. Porém, a empresa nunca revelou em detalhes como seu algoritmo funciona. Pelo que se sabe, todas as ações realizadas dentro do site são levadas em consideração: ao curtir, compartilhar, comentar ou bloquear conteúdos, o algoritmo “aprende” e passa a exibir apenas o que considera relevante para aquela pessoa. O restante é simplesmente ignorado.
A funcionalidade dos algoritmos permite que cada pessoa, voluntariamente ou não, forneça dados e informações pessoais que são recolhidos diariamente: seja por empresas privadas ou pelos governos, nossos nomes, idades, preferências ou até a própria imagem são arquivadas para os mais diversos fins, nem todos eles éticos.
Nós vivemos num mundo que é praticamente impossível ficar escondido, estamos sendo vigiados o tempo todo. Por mais que a gente sinta que tenha privacidade, o aumento de tecnologias como câmeras, rastreamento por meio de GPS e incríveis formas de conexão entre usuários em redes públicas, como a internet, facilitam ainda mais o monitoramento de cada ser humano.
Em lugares públicos, como bancos, praças e aeroportos, sabemos que estamos sendo vigiados. Por outro lado, nem sempre o monitoramento é feito com avisos e com a intenção de manter a segurança. Veja algumas das formas mais comuns que os governos, autoridades e empresas utilizam para manter controle sobre você.
Câmeras de Segurança, o Reino Unido é o país mais vigiado do mundo, com uma câmera de segurança instalada para cada 11 cidadãos. Os Smart TVs, conectado à internet, provavelmente está sendo vigiado. Alguns modelos são capazes de manter registros do que você assiste, enquanto outros permitem até uma verdadeira espionagem, por meio de câmeras.
Os Cartões de Crédito e Débito, os governos e agências de inteligência possuem sistemas de monitoramento em tempo real de transações realizados por meio de cartões de crédito ou débito, em máquinas físicas ou pela internet. A justificativa é que é preciso a vigilância para buscar gastos suspeitos ou que seguem um padrão sendo investigado. Apesar disso, é impossível para o civil comum saber quem poderá ter acesso a essa lista, reacendendo o debate da privacidade mais uma vez.
Histórico da Internet, os históricos de sites e buscas que você realiza no seu navegador ficam disponíveis nos servidores dos provedores para autoridades que possam requisitá-los. Os Smartphones quase sempre conectados à internet e utilizados para manter uma porção de dados e informações sobre as nossas vidas são poderosas ferramentas de registro de suas ações. As empresas são capazes de rastrear movimentos, por meio GPS, padrões de busca ou hábitos em redes sociais e outros aplicativos instalados.
As Redes Sociais, tudo o que você publica e visualiza por meio das redes sociais pode ser vigiado. Por meio de seus hábitos nesses sites ou aplicativos, é possível determinar interesses e preferências durante a navegação da internet e até mesmo a sua localização. Você já se surpreendeu quando o Facebook te sugeriu adicionar uma pessoa que estava no mesmo lugar que você depois de algumas horas? Não foi por coincidência.
Os Drones, nos últimos anos tem sido utilizado para fins não militares. Em 2016, o governo dos Estados Unidos confirmou que utilizava as máquinas voadores para ações de espionagem envolvendo buscas e resgates. É claro que é compreensível a colaboração da tecnologia em situações de crise, no entanto, a população americana não ficou tão satisfeita e especialistas propuseram revisão das leis sobre as máquinas.
No Brasil o uso de práticas desonestas na Internet para influenciar as pessoas acontece desde 2010. Contas fake, bots, mensagens de distração, entre outras práticas, foram usadas durante duas campanhas presidenciais e o impeachment. Contratos entre partidos políticos e as empresas que viabilizam essas práticas têm valores de até R$ 10 milhões.
Sabemos que, cada vez menos, a privacidade faz parte da rotina das pessoas. Sabemos também que as informações recolhidas, a revelia do usuário, não são usadas apenas para o bem e pela segurança da população, que as intenções de grandes corporações serão maiores, principalmente em termos econômicos. No fundo a gente sempre soube, mas é cada vez mais assustador.

(Adaptação de www.fatosdesconhecidos.com.br 31/8/2016)

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