TECNOLOGIA 5G JÁ É REALIDADE NA CHINA

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A tecnologia 5G desenvolvida pela companhia chinesa Huawei está se transformando em guerra tecnológica entre China e Estados Unidos. O presidente Trump teme que essa tecnologia possa se transformar em uma nova arma de destruição em massa. “O 5G não é uma bomba atômica; é algo que beneficia a sociedade. Não deveríamos ser o alvo dos Estados Unidos só porque estamos na frente deles no 5G”, disse Ren Zhengfei, fundador e presidente da Huawei.
O 5G e a inteligência artificial significarão bilhões de elementos conectados, enormes quantidades de dados, e todos eles na nuvem. Mudará a forma de compartilhar arquivos, as compras on-line e a reprodução de conteúdo.
O veto do Governo norte-americano, primeiro às redes, e agora aos celulares do fabricante asiático, é uma declaração de guerra que vai muito além das hostilidades tarifárias. O anúncio do Google de que deixará de dar suporte aos smartphones da Huawei foi um golpe de efeito mundial. Milhões de usuários se levantaram na segunda-feira passada sobressaltados ao saberem que seus celulares poderiam virar uma casca de ovo vazia, porque o Android, sistema operacional com o qual operam, já não disporiam de atualizações do sistema do Google.
Por mais grave que seja o fato de uma decisão governamental condenar milhões de aparelhos à obsolescência, esta tecnologia não é só um avanço a mais. Carros autônomos funcionarão graças a essa quinta geração de celulares, e os robôs industriais poderão processar qualquer ordem em tempo real, o que os transformará em máquinas eficientes e quase humanas, capazes de substituir não só operários de uma fábrica, mas também permitir que um cirurgião opere à distância.
O 5G abrirá caminho para a quarta revolução industrial graças a saltos de inovação que representam uma mudança tecnológica total. As conexões 5G são 10 vezes mais rápidas que as 4G atuais (embora em laboratórios se alcancem velocidades 250 vezes maiores). Graças a esse imediatismo, será possível assistir a conteúdos realidade virtual ou com qualidades inimagináveis, como a televisão 8K.
A tecnologia 5G multiplica por 100 o número de aparelhos conectados com o mesmo número de antenas. Resolve assim o problema da cobertura em grandes aglomerações, como estádios de futebol e shows. Além disso, reduz também a uma décima parte o consumo de bateria dos dispositivos (alarmes, células ou chips), o que lhes dá mais autonomia para funcionarem durante anos.
O maior avanço do 5G, porém, será a redução da latência, o tempo de resposta que um dispositivo leva para executar uma ordem desde que o sinal é enviado. Quanto mais baixa for a latência, mais rápida será a reação do aparelho que acionarmos à distância. O 5G reduz esse atraso a um milésimo de segundo. Uma reposta tão instantânea permite que a condução autônoma de veículos seja segura, e também que sistemas de comunicação, segurança e defesa sejam operados à distância. Por isso Trump centrou toda a sua artilharia na Huawei, porque ela domina a construção de redes 5G.
O duelo do 5G entre China e Estados Unidos envolve inquietações militares, permitindo que a China modernize o seu Exército. A China, com essa tecnologia, poderá processar todo tipo de dados em suas redes para realizar espionagem, tendo assim um sistema de comunicação e defesa mais eficiente e terá influência coercitiva sobre Estados Unidos e seus aliados. O presidente norte-americano acredita que a Huawei pode instalar nas redes uma camada oculta (conhecida como “porta traseira”), com a qual o Governo chinês controlará as comunicações do mundo todo, incluindo as do EUA.
“Nossas tecnologias 5G estão pelo menos dois anos na frente e serão líderes mundiais durante muito tempo”, disse na última semana Zhengfei, em declarações citadas por jornais chineses. “Nossas estações de 5G podem ser instaladas manualmente. Não é preciso contar com torres e guindastes nem bloquear estradas para construí-las, já que têm o tamanho de uma maleta. Por isso, é justamente o departamento do 5G que tem sido alvo dos ataques dos EUA.”
A China tem muitas armas tecnológicas e comerciais em seu arsenal para responder a Trump. A primeira: é o primeiro investidor mundial em inovação, e sua retirada dos países ocidentais causaria danos consideráveis. Ela também pode cortar o fluxo das exportações dos metais raros, imprescindíveis para os telefones celulares. Mas a opção mais temível é que desenvolva um sistema operacional em substituição ao Android, acabando com o quase monopólio do Google, que tem 85% do mercado.
O plano inclui também o desenvolvimento de seus próprios chips de processamento e memória, rompendo o cerco imposto por fabricantes como Intel, Qualcomm, Xilinx, Broadcom, Micron Technology e Western Digital, ou pela britânica ARM. Os conglomerados industriais chineses como a Huawei teriam que pavimentar áreas complementares, mas no final estariam prontos para destronar gigantes norte-americanos como Google, Cisco, Microsoft e Qualcomm, cujo domínio hoje ninguém discute.
O problema não é o celular, nem o 5G simplesmente, mas tudo o que Pequim pode chegar a desenvolver com essa rede além do uso civil. Por isso, Washington também estuda vetar a empresa chinesa de vigilância de vídeo Hikvision.
No momento, os países europeus concentram seus esforços na saída do Reino Unido da União Européia, os países africanos estão preocupados com a fome e alternativas econômicas, o Japão segue o seu caminho silencioso e solitário, a Rússia parece que não descobriu que a Guerra Fria acabou, a América do Sul está envolvida com a deserção dos venezuelanos que fogem da crise política e econômica, no Brasil o congresso continua com o mesmo toma lá dá cá, impedindo que novas medidas sejam votadas e a China urge como um leão nervoso, modernizando o país em tempo “record”.

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