UMA VOCAÇÃO PARA SÃO FRANCISCO

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Três produtores rurais debatiam sobre a situação econômica do município de São Francisco em relação ao que acontece em municípios da região. Longe de resvalar para a visão do “já teve”, eles mostraram muita preocupação na abordagem do tempo perdido, das ocasiões que acenavam mudanças em prol do progresso do município e que não foram aproveitadas. Examinaram a formidável transformação da chapada que se estendia além da vila de Serra das Araras, transformada por força do pioneirismo e muito trabalho de um grupo de gaúchos, no progressista município de Chapada Gaúcha. Era um tabuleiro constituído de terras áridas e sem nenhum recurso hídrico. E naquele lugar “sem propósitos”, no linguajar o sertanejo, plantou-se uma bela e progressista cidade e em seus campos, antes desprezados, estenderam imensos searas – soja, no primeiro momento, e, depois sementes de capim, vendidas em todo o País. Não ficou nisso. Pontificou-se, com surpreendente grandeza, uma Cooperativa, um exemplo de trabalho coletivo com resultados excelentes. E o progresso, sempre crescente, atraiu investimentos outros como o aporte do Sistema de Cooperativas de Crédito – Sicoob – o maior sistema financeiro cooperativo do Brasil.
Poderia ser apenas isso, contudo se se estender o olhar para outros municípios esbarra-se nas transformações anunciando a fuga do imobilismo, que aqui grassa.
E São Francisco? Os três produtores não quiseram declinar do que entendem do problema, para não ter que analisar o arcaísmo e a dependência de emendas parlamentares, que não trabalham o macro, pois dependem de condicionar e manter o micro na sua zona de influência.
Sugerem uma vocação para o município – um nada na proporção do problema, mas uma luz pelo menos. Por que não transformar São Francisco no maior produtor de farinha de mandioca de Minas Gerais. Seria difícil? Diante da vocação agrária do município não seria. São Francisco já foi o maior produtor de mamona do Estado, foi grande produtor de algodão e, no caso da farinha, contava com dezenas de fabriquetas espalhadas em seu território. Hoje, compra farinha de Santa Catarina. Deputados enxergaram o problema por um prisma: liberação de recursos para fabriquetas de farinha, mas sequer interessaram em saber se na comunidade beneficiada havia plantação de mandioca – em todos casos não havia e, com isso as fabriquetas foram encostadas e sucateadas. O certo é que fabricar farinha dando suporte ao agricultor familiar e criando-se uma cooperativa para negociar o produto pode ser uma alternativa. Outras existem, certamente, o que precisa é buscá-las.

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