UNIMONTES CAMPUS SÃO FRANCISCO: ENTRE CONQUISTAS E DESCASOS

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Prof. Dr. Roberto Mendes Ramos Pereira
Coordenador do Campus São Francisco

A Universidade Estadual de Montes Claros, campus São Francisco, no último dia 27 de fevereiro, realizou em sua sede na cidade, à rua Maurício Ribas, 780, Jd. Graziela, a solenidade de formatura de mais quinze acadêmicos dos cursos de matemática e história. Estiveram presentes o magnífico reitor professor Dr. Antônio Alvimar Souza, a pró-reitora de Ensino professora Dra. Amália Helena Papa, o coordenador didático do curso de história professor Dr. Robson Murilo Grando Della Torre, do chefe de departamento de história professor Dr. Vinícius César Dreger Araújo, do coordenador do campus São Francisco professor Dr. Roberto Mendes Ramos Pereira, além do vereador Rubens Mendes Tavares, professores dos cursos de história e de matemática, coordenadores dos cursos técnicos do Pronatec, bem como familiares e amigos dos formandos. A quadra poliesportiva estava repleta, infelizmente sem a presença do prefeito municipal de São Francisco.
Esse evento foi significativo não apenas pela conquista desses jovens que agora estão aptos a ingressar no mercado de trabalho, transformando suas vidas e também a da própria cidade em que moram. Essa formatura traz consigo um sentido único principalmente porque, contraditoriamente, apesar da alegria de alguns, o campus São Francisco da Universidade Estadual de Montes Claros atualmente vivencia um momento de crise e bastante temerário em relação ao seu futuro.
É sabido que a Unimontes Campus São Francisco tem uma história construída nesse município norte-mineiro, com enormes conquistas e impactando na vida de centenas de jovens e adultos que ingressaram nos cursos superior e técnicos oferecidos. O início das atividades da Unimontes em São Francisco se deu no ano de 1996, com seus cursos emergenciais. O campus só foi criado em março de 2003, completando neste ano de 2019, no dia onze, dezesseis anos de existência. São mais de duas décadas formando profissionais de excelência para São Francisco e região. Sem contar com os cursos emergenciais, com os cursos de normal superior, história, geografia, dentre outros, o que se viu nesse tempo foram centenas de jovens se formando nos cursos de História, Matemática, Agente Comunitário de Saúde (ACS) – Pronatec, Técnico em Enfermagem – Pronatec , Artes Teatro, Artes Visuais, Agente de Combate às Endemias (ACE) e Assistente de Recursos Humanos (ARH).

Formandos de História e Matemática – Fevereiro/2019

Atualmente são aproximadamente 300 (trezentos) alunos matriculados nos cursos superiores e técnico existentes no campus São Francisco. Até esse ano de 2019 são quase mil profissionais formados em São Francisco, vendo-os presentes e atuando em agências bancárias, escolas estaduais, municipais e até em universidades, graduados, mestres e doutores, revelando o impacto social e econômico que essa grande universidade tem na vida de muitos são-franciscanos.
Além dessas atividades, a Unimontes Campus São Francisco desenvolve diversos projetos nas áreas de ensino, pesquisa e extensão: Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) – Atendimento a aproximadamente 1000 alunos diretamente em três escolas, Projeto Residência Pedagógica em mais três escolas públicas, Projetos de Iniciação Científica com Pesquisas sobre aspectos históricos da cidade de São Francisco e Pesquisas em Matemática, o Núcleo de Atividades para Promoção da Cidadania (NAP, o Projeto Cidadania Universitária (com atividades ambientais, sociais, culturais palestras, etc.), Projeto Apoio à Matemática na comunidade São Francisco – PAM, dentre outros. Para além dessas ações, pesquisas e intervenções na Comunidade Buriti do Meio, o Projeto Unimontes Solidária, as mais de 150 pesquisas sobre os diversos aspectos do município de São Francisco, o Balcão de Estágio oferecendo estagiários à EMATER, ao SICOOB, etc., o Projeto Unimontes Solidária, o Multicampi, dentre tantas ações solidárias compõem o quadro de benefícios que a Unimontes oferece para São Francisco. Para se ter uma ideia, sem contar com as inúmeras residências que são alugadas a cada leva de acadêmicos que chegam à cidade, da área rural de São Francisco e até de outros municípios, a Unimontes, só com os projetos Residência Pedagógica e PIBID, jogará até o final do ano de 2019 aproximadamente um milhão de reais através das bolsas concedidas aos seus acadêmicos dos cursos de história e matemática. Isso sem contar com o custeio da formação dos estudantes do curso técnico em enfermagem, que já estão desenvolvendo seus estágios em postos de saúde e no hospital, e que atualmente recebem quinze reais por dia de aula.
Apesar de todos esses avanços e benefícios que a cidade e as famílias dos estudantes recebem com a presença da Unimontes em São Francisco, atualmente essa renomada instituição de ensino passa por um momento bastante sombrio, colocando em dúvida até mesmo seu futuro no município. Um convênio assinado entre o município e a instituição, pouco a pouco tem sido descaracterizado. Muitas das garantias antes firmadas pela prefeitura foram sendo retiradas. Dentre tantos pontos, o mais sentido pela Unimontes foi o transporte de professores no trajeto Montes Claros – São Francisco, visto que a maior parte dos professores são de Montes Claros. Enquanto isso, outros municípios como Brasília de Minas reafirmam suas parcerias com a Unimontes. Nessa direção, e levando-se em consideração a filosofia de contenção de gastos do governo estadual, o que se nota, dia-a-dia, é o enfraquecimento do campus São Francisco.
Por muito tempo existiram rumores de a Unimontes ir embora de São Francisco, sempre negados por todas as partes, seja pela Prefeitura ou pelos gestores da Unimontes. No entanto, a conjuntura econômica e das políticas públicas de educação superior em Minas Gerais apontam para um quadro diferente. O fatalismo parece pairar sobre muitos que poderiam auxiliar na solução dos grandes problemas do campus. Mas o pior de tudo é o discurso de alguns que acham que uma instituição de ensino superior como a Unimontes numa cidade pequena como São Francisco não ser tão importante, que não traz benefícios e desenvolvimento para a região e para as pessoas que aí vivem. Em toda essa história, o que temos que temer é que, caso chegue o dia de uma instituição tão renomada como a Unimontes deixar de existir em São Francisco, lugar onde contribuiu para a melhoria de vida de milhares de pessoas através da educação, se isso um dia acontecer, dificilmente ela voltará a existir em São Francisco. Seria um caminho sem volta. E quem mais perderá com isso, com certeza, serão aquelas famílias que não têm condições de custear um curso superior para seus filhos na rede particular de ensino ou noutra cidade. Se por um lado há o argumento de que não há obrigação legal para a prefeitura custear ou auxiliar o ensino superior, mesmo que haja na estrutura organizacional da Prefeitura Municipal de São Francisco (Lei 2893, de 03 de dezembro de 2013, art. 10, letra c) a atribuição de “formular, promover e executar programas e ações que visem melhorar a cobertura e qualidade do ensino profissionalizante e superior no Município, a fim de garantir a inclusão social”, por outro lado é consensual e de bom senso a ideia de que a prefeitura precisa fazer o município crescer, se desenvolver, para que as pessoas que aí moram tenham uma melhor qualidade de vida, e não minimizar essas condições de vida, fazendo do ensino superior algo inalcançável e restrito para uma minoria. É por essas e outras que a Unimontes, campus São Francisco, está atualmente numa encruzilhada, entre conquistas e descasos.

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