VAPORES E OS RIBEIRINHOS

0

Pelas águas do velho Chico formou-se a etnia mais destacada da população são-franciscana. Famílias que chegaram por acaso, desembarcando por algumas horas do vapor e ficando; outras vindas de saber preparado.

Um breve relato histórico em versos

Barbosa, Figueiredo, Ferraz, Ferreira, Ribas,
Gangana, Cavalcante, Azevedo, Santos, Leal,
Neves, Magalhães, Gomes da Mata, Leite
Próbio, Martins Braga, Albernaz, Rendeiro,
Sementes das grandes árvores plantadas nas Pedras
Família que escrevem nossa história,
Crescidas viçosas e altaneiras como angicos,
Em sólidas rochas plantadas.
Sementes embrionárias do Norte/Nordeste
Viajadas em redes ou camarotes
Noites e dias no balanço do vapor
Deixando para traz uma esteira de saudade.

Os vapores trouxeram a vida para São Francisco
Eles fizeram a alegria dos ribeirinhos.
Tanta festa, tantos rumores, tantos amores
Amores de encontros casuais em viagens
Acabados muitos em cerimoniosos casamentos
Consagrados pelo comandante todo de branco
Comandante imponente, branco como uma garça,
Comissário preocupado e atento aos detalhes
Segurança e conforto dos passageiros;
Taifeiros e cozinheiros, tantas tarefas
E o vapor cumprindo seu destino
Um apito distante, sol a pino ou na madrugada
Lá vai seu Massu apressado
No dever marcado de receber o vapor
De obrigação faz a jornada, faça chuva ou sol
Mas o povo vai por apenas gostar tanto.

Os vapores fizeram a história de São Francisco
Alegrias tantas trouxeram aos ribeirinhos,
Em cada porto, buscando comida para as fornalhas,
Havia uma festa comemorada.
Mãe segurando a mão do filhinho para ele ver
Ver e sentir de onde vinha aquele apito apaixonado
E, se à noite, era um festival de luzes.
E aparecia o dono do porto tangendo o carro de bois
Carregado com quartos de bois para a despensa do vapor.
Era combinado: um apito: um boi abatido.
Mas se eram dois apitos: dois bois abatidos.

E os sentimentos, a emoção tamanha despertada
No coração ribeirinho, parecia seguimento de sua vida.
E o que sentia aquela menina faceira que contou:
O vapor apitou, na minha mão pegou,
Um abraço me deu. O vapor me abraçou.
E duas gotas de lágrimas rolaram de sua face
Molhando a areia do barranco.
Ali nasceu uma flor. Flor do amor e da saudade
Da ribeirinha pelo vapor.

Se o vapor não vem mais, que importa!
Ele nunca foi, nunca nos deixou.
Está em nossa memória guardado,
No coração gravado, apitando
Apitando tantas saudades dos tempos vividos,
Das suas passagens iluminadas em nossa cidade,
Em festa pelas barrancas.

Vai apitando. Ainda ouvimos tanto.
Vai apitando e chorando o vapor
E nós, na saudade choramos com ele.

JNM

Campartilhe.

Comentários desativados.