VAREJEIRAS

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Impressionante! O ambiente de uma cozinha pode estar limpo, até invadido pelo aroma de certos alimentos. Contudo, assim que começa o movimento com as carnes, ouve-se o zumbido da mosca varejeira. Incomoda, mas pode ser facilmente repelida com uma simples borrifação de inseticida – não muito para não prejudicar o aroma (ou contaminar) dos alimentos em preparo.

Tempo de eleição. O município passa um ano, passa dois anos quase em total esquecimento, em sono plácido. Nada acontece vindo do exterior e o paradeiro é o de sempre. Nada, nem promessas. Chegam as eleições e, como por encanto, chegam os políticos e assanham os da terra. Os de fora chegam como as varejeiras, no cheiro dos votos futuros. Começam a jorrar as promessas disso e daquilo, emendas e mais emendas – quase sempre o recurso não chega e se chega o município não o aplica.

Tal situação nos remete o cidadão à história, muito antiga mesmo, como descreve Ivar Lissner focalizando a Cidade Eterna anos antes de Cristo: “Em Roma é o que mais oferece que ganha a partida”. E o que quer dizer isto? Lamentavelmente, trata-se de uma situação vivenciada em nosso País, principalmente nos cantões esquecidos onde se vê a situação da maioria dos eleitores. Completa  Ivar Lissner: “Começam por desejar viver o seu direito de sufrágio. Faz-se pagar para assistir à assembleia, ou para julgar nos tribunais. Quando o cidadão não era suficientemente rico para promover tais despesas, o pobre inventou outros recursos. Vendia o seu voto e, como as ocasiões de votar  eram frequentes, o pobre podia viver destas transações!”

Pois é, a varejeira se expulsa com a borrifação de inseticida. E os políticos que chegam? É difícil, pois o cheiro está arraigado “no curral”.

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