VOZES DOS CIDADÃOS

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João Naves de Melo

JOSÉ AGUIAR JÚNIOR

Um episódio perdido no tempo, quando circulava o “SF – O Jornal de São Francisco”, com a redação na Escola Caio Martins, movimentou o companheiro e advogado Elmiro Ribeiro Júnior, para que, juntos, fôssemos garimpar um pouco da história de São Francisco. Estava ele ligado a uma carta do presidente Juscelino, endereçada a um cidadão são-franciscano e que ele me entregara para ser publicada no “SF”. Eu não me lembro do fato, de jeito nenhum,mas a narrativa de como e quando ele se deu  deixou-me convencido que ele acontecera e que, de certa forma, eu acabara responsável por dois fatos, ambos ruins: a não publicação da carta e o desaparecimento da mesma. Disse o destinatário que, depois de repetidas promessas de que a carta seria publicada eu, enfim, revelara que ela havia se perdido na redação. É possível.

E como teve origem essa carta e a quem ela fora endereçada?

Um cidadão são-franciscano, fotógrafo de profissão, flagrou uma miss que veio a São Francisco por ocasião dos festejos do aniversário da cidade no tempo daquelas festas bonitas, cheias de pompas e com desfile alegóricos. Ele clicou a miss desfilando em um carro que atravessava uma alameda de flamboyants vermelhos e amarelos, em plena primavera: era a avenida Presidente Juscelino.

Tempos depois, não muito, ele soube da visita ex-presidente Juscelino a Montes Claros, convidado para fazer umas conferências. Fato inédito, pois ele se via às voltas com o Governo Militar. Nosso amigo não pensou duas vezes e se mandou para a Princesinha do Norte. Lá, enfiou-se num terno aprumado, tal como gostava de se apresentar e foi para o aeroporto. Assistia à chegada do grande brasileiro. Quando ele chegou o povo o aplaudiu e carregou nos ombros até o carro que o levaria à cidade. Nosso amigo se mandou atrás. Perdeu o comboio pelo caminho, mas não desistiu até que descobriu onde era a recepção: num dos famosos casarões de políticos da cidade. Denodadamente enfiou a cara pela porta a dentro e acabou se deparando com o presidente que com aquilo largo sorriso – sorriso que lembrava, como a fisionomia, o do Cel. Oscar Caetano -, o recebeu como se fora velho conhecido. Sem perda de tempo ele foi se anunciando:

  • Sou representante de São Francisco…
  • De São Francisco, atalhou o presidente. E o Braz, como vai? Ele não veio?

Nosso amigo ficou aborrecido com a ausência do político são-franciscano, conhecido do presidente. Não era ocasião para ficar de fora. Não perdeu tempo. Rapidamente enfiou a mão no bolso do paletó e arrancou a fotografia da avenida presidente Juscelino com o oferecimento no verso e o explicando o porquê da homenagem. O presidente agradeceu e o convidou para acompanhar a comitiva ao jantar numa bela churrascaria da cidade.

Ele foi e clicou o presidente. A foto é a estampada nesta página.

Tempo depois ele recebeu a carta do presidente agradecendo o presente da foto e a homenagem que lhe fizera o povo de São Francisco dando o seu nome à principal artéria da cidade. A carta desaparecida.

Meu amigo Júnior ficou sabendo do fato e me procurou para narrar o ocorrido. Muito tempo passado venho corrigir o terrível lapso. Quanto tempo esperou nosso amigo, guardando tão preciosa lembrança para ele e para São Francisco. Agora, que narro o ocorrido, aproveito para falar, também um pouco da sua vida, pois ele tem muito para contar – a história de José Aguiar Júnior.

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