VOZES DOS CIDADÃOS

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João Naves de Melo

JOSÉ AGUIAR – III

Com o comércio consolidado, Zé Aguiar voltou atenção para o desenvolvimento da pequena comunidade que já era como um pólo para aquela região. Havia, ali uma capelinha que estava sendo levantada. Ela não tinha mais de metro e meio de parede e estava interrompido o serviço por falta de dinheiro. Astuciou e pôs um plano em ação: a realização de leilões durante 9 noites, antecedendo a festa do santo (São José, coincidência, ou não). Para cada noite eram escolhidos um noiteiro e uma noiteira – a ela cabia ofertar uma bandeja (a prenda) e a ele garantir a arrematação pelo melhor preço. Ainda tinha duas damas protetoras e dois presidentes que também, da mesma forma, ofereciam prendas e cuidavam de arrematar.Depois, tinha mais: os seis escolhidos tinham que pedir mais prendas para outras pessoas e levá-las à arrematação. O leilão ia até o dia 18. No final de cada leilão realizava-se um forró, com um conjunto organizado pelo próprio Zé Aguiar que era dono dos instrumentos: sanfona, violão e pandeiro. Um sucesso, vinha gente de todos os lados.

Chegava o dia 19 de março (o ano era 1959) a festa do santo- São José , Zé Aguiar foi à cidade combinou  com o Pe. Francisco a realização da primeira festa religiosa do povoado; o horário da celebração da missa e, depois, convidou o prefeito Oscar Caetano Júnior para prestigiar o evento. Oscar, no dia chegou ao povoadinho a cavalo, na companhia de Floriano Mendonça e Henrique Ribas. José Aguiaro levou para tomar café em sua casa, em companhia de Santinho, Miguel Paulo, Antônio Veloso e Zequinha Veloso, ocasião em que lhe fizeram três pedidos: abrir a estrada ligando o povoado à cidade;construir um prédio para a escola e abrir um poço tubular para fornecer água para os moradores. Dr. Oscar, na hora, prometeu atender os pedidos. E isso fez em pouco tempo. José Aguiar e Idelfonso foram encarregados de locar a estrada da Jibóia até Mocambo de onde partia uma estrada, aberta por Brasiliano Braz, para São Francisco; Pompílio chegou pouco depois com sua turma e começou a construção da escola que ficou pronta em pouco tempo, e, com a ajuda de um deputado, ele garantiu a abertura do poço para fornecimento de água para o povo.

O SINO

Zé Aguiar conseguiu com a participação da comunidade, concluir a igreja de São José e Santana, tendo como colaboradores diretos: o sogro José Gonçalves Mendes (Zé Branco) e dona Adelaide Mendes de Matos, Honório Ribeiro, Santinho e dona Ana, Lotário Almeida, José de Almeida Souto, José Braga de Caíres, Marciano Ferreiro, Idelfonso Ferreira de Souza, Livino Vieira de Almeida, Claudemir Ribeiro Mendes.

Zé Aguiar doou as imagens de São José e Nossa senhora. Depois Santinho e Dona Ana doaram a imagem de Sant’Ana.

Faltava o que, para os moradores do meio rural era indispensável numa igreja ou capela, de tradição remota: o sino.

Depressa Zé Aguiar se inteirou do assunto e escreveu uma carta para a Fundição Metalúrgica Bellini, de Porto Alegre, a mais famosa fábrica de sinos da época. Recebeu a resposta com um catálogo e preços, datada de 12.01.60. Decidiram por comprar um sino que pesava 70 quilos e era afinado pela nota “lá”, sendo o mesmo instalado numa torre de madeira, como era comum na época.

Zé Aguiar guarda, com carinho, toda documentação relativa ao sino.

Para pagar o sino e acompanhar as despesas com a construção da igreja ele contou com o apoio de uma equipe formada por Guim e Juvercina; Miguel Paulo e dona Benta; Antônio Veloso, Zequinha Veloso, Santinho e Dona Ana.

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