VOZES DOS CIDADÃOS

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João Naves de Melo

JOSÉ AGUIAR, O PAI – V

Dos relatos de José Aguiar Júnior, surgiram alguns fatos interessantes e pitorescos, relacionados à história de São Francisco ou a uma época, mostrando que tudo tem sua importância e beleza no seu tempo.

Antes de falar um pouco sobre Ieié, o José Aguiar, o pai, vamos focar um caso de época, de como os rapazes dos anos 50 se divertiam e exibiam.

José Aguiar Júnior contou que, nos fins de semana, a rapaziada se preparava para ir às festas que aconteciam na região, os famosos pagodes. Eram escolhidos os mais belos e fogosos animais. As arreatas eram especiais, de primeira: arreio de sola branca, especialmente confeccionados por seleiros da região,  rédeas trançadas com crina de cavalo, branca e preta com charrolhas; fivelas prateadas, brides e freios reluzentes. O traje do cavaleiro era um luxo: terno, gravata, chapéu Ramezoni 3X, bota de couro e um bonito par de esporas – as do Zé eram especiais, feitas pelo ferreiro Stefano, que desmanchou 1 quilo de moedas brancas (níquel) para confeccioná-las. E não podia faltar um 38 na cintura.

De uma feita, Zé Aguiar, três rapazes e quatro moças, suas namoradas, “tomaram a porta” de um forró em Ubaí. Láchegaram, todos, em belíssimas e bem arreadas montarias e foram diretamente para casa onde se realizava um forró, localizada na rua principal, desmontaram e tomaram conta da festa. Num certo momento Zé resolveu dar uma esticada até à casa deLindolfo Gonçalves Rego, chefe político de Ubaí, que ficava numa praça, onde também se realizava um forró.. Pegou uma bela montaria de um amigo, pois seu cavalo fora emprestado a outro amigo Foi todo fagueiro. Na entrada do pátio Zé divisou pessoas sentadas nos varejões da cerca e outras de cócoras, como era comum naquele tempo.  Oportunidade boa para mostrar as qualidades da montaria e do cavaleiro. Chamou o cavalo nas esporas. O efeito foi outro. Ao invés de esquipar, como o esperado, o cavalo pôs-se a saltar – não tolerava esporadas e Zé não sabia disso. Enfurecido jogava o corpo do cavaleiro para cima e ele, agarrado às rédeas, como podia,e voltava ao acento para ser atirado outra vez para cima e os sacolejos duraram bom tempo. Zé viu o mundo passar diante de seus olhos. “É hoje pensou ele. É hoje que estrago meu visual, quando estatelar de terno nessa poeira. Como é que vou ficar depois diante dos amigos das moças?”. Não era para menos o seu temor, pois bom cavaleiro e boiadeiro ele era, mas nunca experimentara a arte de ser peão e o piso da praça era forrado de densa camada de pó. Imagine ele no chão, saindo do meio da poeira, com o terno todo manchado!.

Felizmente o cavalo se acomodou e ele conseguiu apear, lívido, mas intacto, para receber os abraços dos pões pela bela exibição.

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