VOZES DOS CIDADÃOS

0

João Naves de Melo

JOÃO PRÓBIO III

Anos depois, João Próbio voltou definitivamente para São Francisco e aqui ficou raízes – é o que conta em versos.
Um dia eu estava dormindo
e naquele sono eu sonhei
que estava em São Francisco.
No lugar onde passei,
os pescadores estavam cantando
do jeitinho que eu deixei.

E quando eu acordei
daquele sonho de ilusão
notei que eu estava dormindo
por cima do coração,
deitado do lado esquerdo
apertou minha pressão.

Agora, meu amiguinho,
acabou-se o meu sossego,
tinha que vir no São Francisco,
Fosse mais tarde ou mais cedo,
entrou na minha cabeça
a ponto de fazer medo.

Sonho realizado

Cheguei em São Francisco
e uma casinha aluguei.
De noite eu pouco dormia,
muito cedo eu acordei
e os búzios dos pescadores
a cinco horas eu escutei.

Quando os búzios tocaram
eu estava de prontidão,
com quinhentos reis de peixes
eu enchi um caldeirão.
Voltei para casa sorrindo
Cheio de satisfação.

Eu nunca vi tanta fartura
como vi neste lugar;
tem peixes aqui dentro do rio
era impossível acabar
e não precisa mais gostoso
do que o curimatá.

(Neste ponto da leitura, ele deu uma parada e disse sorrindo: – “Hoje mesmo já comprei uma…”).
Não demorou muito tempo
uma fazenda eu comprei,
no córrego do Pajeú,
pertinho do Zezé Botelho,
comprei umas trinta vacas
e para lá me mudei…

Aí começa a vida de João Próbio em São Francisco. Isto veremos na próxima publicação. Propositadamente, a primeira publicação da entrevista de João Próbio publicada no jornal O Barranqueiro saiu no dia em que ele completou 94 anos de vida e bem vivida. (Janeiro de 98).
É nossa homenagem.

Campartilhe.

Deixe Um Comentário